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As chuvas, a volta para casa e o paraíso

por Ana Flávia Chrispiniano

Que Gandhi me perdoe, mas minha vontade mais primitiva na volta pra casa de hoje era pegar o Kassab e o Alckmin pelo braço e jogar na enxurrada pra ver se nadavam. Se dependesse de consciência pesada, calculo que não afundariam. Até agora não deram nenhuma declaração a respeito das calamidades que os paulistanos vêm enfrentando este verão, de onde concluo que para eles uma chuva que durou 20 minutos parar a cidade às três da tarde está dentro da absoluta normalidade.

Na Estação República do metrô, as filas na catraca estavam tão grandes que uma moça comentou, brincando: “Já são seis horas?” Ou seja, se fosse seis horas tudo bem porque a gente já tá acostumado…mas às três não! Ok, a moça disse a frase sem pensar e eu sou uma chata. Mas não consigo deixar de pensar que é um problema deixar de pensar que pode ser diferente!

Isso é o mais triste: o povo enfileirado que nem gado, olhando pro céu a procura do réu e achando graça da desgraça. Até quando a gente vai adaptar nossas vidas privadas a situações absurdas – correndo riscos de proporção real nas ruas ou imaginando proporções distorcidas pela TV, trancados em casa – e ser coniventes com o abandono dos bens públicos?

Se ao invés de reclamar dos impostos, fosse cobrado o bom uso do dinheiro; se ao invés de reclamar dos protestos que atrapalham o trânsito se fizesse um protesto contra o trânsito…Talvez assim nossos representantes se lembrassem mais de nós. Talvez assim nossos representantes se lembrassem que nos representam.

Mas é cada um por si, Deus mandando chuva pra todos e uns bonecos de cera sendo eleitos e reeleitos para ocupar as cadeiras do Executivo e apenas fingir que o Estado ainda existe em São Paulo.

 

Mais do que nunca, impera por aqui a tal visão do Estado como mero gerente do grande mercado da vida. E não se fala mais nisso. Se resolver tocar no assunto, provavelmente terá a sensação de não ser ouvido, ou de falar uma língua morta/incompreensível. É latim ecoando num longo corredor vazio, onde o  que interessa é saber como ganhar dinheiro pra salvar a própria pele.

A grande maioria dos livros que vejo se abrirem no metrô (em pé, com desconforto pra virar a página)versam sobre um paraíso qualquer a ser alcançado após a morte ou num futuro próximo, caso você “seja esperto e aprenda a enriquecer dormindo”.

Isso me preocupa. E não sou pessimista, pelo contrário. Só quero que a gente possa alcançar o Paraíso que está logo ali, a algumas estações.

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Por um Minc não careta ou três tempos/visões da cultura e política cultural brasileira

Aviso: esse texto contém simplificações. De ideias, de linhas políticas e da atuação de órgãos públicos. Mas é proposital por ele ser ilustrativo do que acho que são as três principais visões mais gerais de cultura brasileira/política cultural que co-existem  e se enfrentam, por exemplo, nos debates que surgem com a posse de Ana de Hollanda, e de certa forma do pensamento do PT de forma mais direta, no Ministério da Cultura (Minc).

Depois se for o caso escrevo um mais a sério e menos galhofeiro.

Eu as situei no tempo/espectro político/visão de cultura brasileira de cada uma delas.

Todas existem até hoje. Mas cada uma tem seu próprio tempo.

Vale só mais um aviso. Provavelmente a melhor política pública para a cultura possível conteria todas as concepções e tipos de projeto com que eu brinco abaixo…por mais que eles sejam diferentes entre si.

A Belle Époque Tucana (pré 1922)

Acreditam que a misssão de uma secretaria de cultura é elevar o “nível cultural” da população. Para isso devem “levar” a “boa” cultura, principalmente pelo seu efeito civilizador. Uma coisa de inspiração quase jesuítica.

Osesp em ação: o melhor projeto cultural brasileiro por poder ser de qualquer lugar do mundo

Alguns não tem certeza se vale a pena mesmo financiar uma cultura brasileira e reservadamente revelam receios de que exista, ou que valha a pena se ufanar de algo como uma cultura brasileira.

Falam em “marketing cultural”, e deixar morrer iniciativas culturais que “não sabem sobreviver no mercado”, embora sua política seja ótima para canalizar rescursos públicos para o que já poderiam sobreviver de qualquer jeito no mercado. Reconhecem a necessidade de fomento, universalização e circulação das artes clássicas, que tem dificuldade para sobreviver nesse país tropical. Música clássica e balé clássico. Sem modernismos.

Consideram a Osesp o melhor projeto de cultura do Brasil. É uma orquestra cara, de nível internacional, com músicos internacionais, maestro internacional, que poderia ser de qualquer país de primeiro mundo, faz turnês e gravações internacionais. Você assiste e nem diz que é de São Paulo: poderia ser de Boston, Berlim, Milão, não dá nem para sentir o cheiro do lixo da Cracolândia em volta. Por isso mesmo a consideram o melhor projeto cultural do Brasil.

Gozo mesmo são projetos que “levam cultura” para as favelas. Como se a favela não tivesse cultura. De preferência, aqueles que fantasiam as crianças de meninos de Viena, cantando ou tocando músicas clássicas. (Aviso: não é crítica a existência e financiamento de projetos assim em si ou do acesso de qualquer um à música clássica )

Os tucanos confundem gestor de políticas culturais com eruditos, ou ao menos, quem sabe apreciar uma boa ópera. Claúdia Costim, Francisco Weffort, João Sayad e Andrea Matarazzo, por exemplo, nenhum oriundo da área cultural (respectivamente gestão e energia, ciências políticas, banqueiro e…deixa para lá). Mas todos muito cultos e de bom gosto. Jamais são demitidos (aliás, secretário/ministro da Cultura raramente o é).

A versatilidade de Matarazzo

Vale ler esta entrevista do Matarazzo, novo secretário de Cultura de São Paulo e sua leitura das políticas públicas de cultura e ver esse vídeo do simpático  Weffort para o projeto Produção  Cultural (que admite sua dificuldade com o cargo, e faz homenagem ao legado do gigante Mário de Andrade, que é realmente quem projeta junto com o “irmão”(sic) Oswald sua sombra sobre tudo isso)

O nacional-desenvolvimentismo petista (até 1967) ³

Há uma cultura nacional. Há tradições nacionais. Há artistas. E é preciso protegê-los! São frágeis, os coitados…Da cultura de massa, das misturas que eliminam a pureza do samba, e fomentar os artistas que defendem a nossa verdadeira cultura.

Vai dizer que o samba em si nasceu de uma mistura de música da Europa com tradições africanas e que em seus primórdios foi perseguido e tratado com o mesmo desdém que os puristas hoje tratam as novas manifestações miscigenadas e periféricas de “preto, de pobre, de favelado”. Eles te interrompem antes que acabe.

Vai dizer que existem coisas para serem protegidas, que existem tradições para serem preservadas, mas que reserva de mercado e isolacionismo não protegem a vitalidade de uma cultura fundada na antropofagia (só a tiram do seu tempo, da modernidade). Por isso que ataques contra o Creative Commons baseado em sua origem em um acadêmico nos Estados Unidos (bold e vermelho) faz sentido em certos meios como “denúncia” e defeito de origem.


Gil no seu pior momento: na passeata contra a guitarra elétrica em 1967!

Claro que tradições devem ser preservadas. Mas vai dizer que “fossilizar” pessoas e comunidades é infantilizar, tratar o outro como objeto de museu, animal no zoológico cultural, e não dialogar como igual. Elas tem que ser vivas e insumos, fortalecidas não vitimizadas, não formol e farsa de si mesmas enquanto manifestações culturais.

O “nacional-desenvolvimentismo cultural” reconhece o valor das manifestações populares. Desde que nas regras quase do folclore.  Pobre pode. De sandália de coro. De Rider, não!

O nacional-desenvolvimentismo cultural é obviamente mais setorial, mais ligado a classe artística existente, e ao proteger o setor, acaba as vezes por extensão protegendo um modelo comercial, corporativo e cartorial de cultura.Ele protege o que existe porque é mais defensivo que propositivo. O que é novo não tem corporação para defendê-lo.

Nesse modelo existem os artistas e os não artistas. Os que produzem e os que consomem cultura. E os que produzem são proprietários exclusivos de sua obra, que, para deixarmos claro, é entendida como propriedade. Sem inflexões.

Por se assentar no que existe, não no que está nascendo, tem apoio da classe artística estabelecida e representada simbolicamente e de forma setorial em partidos. Mas a cultura não é uma classe, ou de uma classe. E embora o artista, o criador, seja uma figura especial e essencial da cultura, ele não é seu centro, porque não há centro nesse universo, e o criador não é algo que exista fora de um sistema.

Digo isso por causa do discurso da posse de Ana de Hollanda. Tem coisas legais, tem coisas ambíguas, tem coisas que eu acho ruim, mas a ideia da “pessoa que cria”, essa ideia de um ser artista “mágico” não é base para política pública, é uma representação simbólica que um setor profissional cria para si mesmo. É mais ou menos como dizer que toda a política de esporte deve ser voltada para esporte profissional e não para a prática de atividades físicas de forma mais ampla (aliás, é assim mesmo no Brasil, né?).

A política ideal agora é fomentar e fazer circular os artistas brasileiros chancelados e estabelecidos como sua excelência, “o criador”,  pelo país (e eu até acho que artistas mesmo são pessoas especiais). Não é por acaso que o modelo ideal aqui é o Projeto Pixinguinha, que subvenciona shows de música.

Existe outros trechos do discurso de posse da nova ministra que me deixam com receio. Ela critica a antiga gestão nessa passagem:

“Visões gerais da questão cultural brasileira, discutindo estruturas e sistemas, muitas vezes obscurecem – e parecem até anular – a figura do criador e o processo criativo.”

Bizarro alguém achar que está concluída, ou não é fundamental, que a principal e mais produtiva forma de intervenção de um Ministério da Cultura incipiente no Brasil não seja criando sistemas e estruturas (por exemplo, estruturando, dando apoio e formação para políticas e redes de secretarias estaduais e municipais de cultura, ou suas relações com o sistema de educação).  E não é que essa preocupação obscurece ou anula o “criador”. Ela o contextualiza! (por exemplo, a necessidade de se pensar formação de público e vocações artísticas e relação não só com o MEC, mas também com o Ministério das Comunicações e Ciência e Tecnologia…)

O discurso indica que na visão nacional-desenvolvimentista irá se fomentar aquilo que existe, mas não se percebe que irá se perder a chance de se criar condições para aquilo que poderia ser (e que provavelmente será de qualquer jeito, aliás, já é, mas será apesar ao invés de com a ajuda do Minc)!

Como mais ou menos disse o amigo Rodrigo Savazoni @rodrigosavazoni (que de resto, não tem “culpa” por esse texto) ela aponta um ministério ligado às raízes do Brasil (grande vô Sérgio!) quando o passo além que o país precisa hoje é de redes (até mesmo para as raízes se espalharem)!

O tropicalismo/manguebit da dupla Gil e Juca (pós 1967)

O tropicalismo se voltou ao modernismo e a antropofagia para atualizá-los nos anos 60 para o mundo da cultura de massa, dos jovens, do rock. Mantendo a cultura brasileira com sua capacidade de sempre se renovar não sendo aquele menino que não desenvolve anti-corpos ao não brincar com os outros na rua, mas por ser aquele que faz do seu jeito também as brincadeiras dos outros. O manguebit veio para atualizar o tropicalismo para a era digital. Eu lembro da primeira vez que vi Chico Science. Não entendi nada! O manguebit era tão moderno que então foi “traduzido” errado pela imprensa, que o entendeu e rebatizou como beat de batida e não bit de tecnologia.

“Computadores fazem arte” – profético! Imagina se isso fosse entendido como política cultural-educacional na época em que isso foi cantado (a música foi lançada em 1994)

O Minc de Gil/Juca, é preciso dizer, foi um acaso, quase um erro, uma “falha” no sistema político…Surge do vazio deixado por Weffort, que permitia tudo, com um vazio no debate público e dos interesses politiqueiros em um Ministério da Cultura. Acharam que estavam dando o Minc para os “artistas”. E o pessoal lá fez “arte”!

Permitiu-se criar um ministério novo, garantido pela legitimidade de Gil, e,  sem muita gente para defender algum status quo consolidado internamente (exceção da questão da lei Rouanet e do audiovisual, que não era pouca gente…). E é preciso dizer que como tão novo, cometeu erros, claro, e talvez o maior dele foi não perceber a urgência do tempo contida na sua própria excepcionalidade, na sua liberdade e falta de apoio político (que depois da saída do Gil, foi apenas o compromisso do Lula com o ex-ministro) para aproveitar a oportunidade e consolidar, comunicar e sintetizar os avanços, ou partir para um tudo ou nada em grandes batalhas contra forças estabelecidas (da Lei Rouanet e dos direitos autorais), que talvez fossem perdidas de qualquer jeito.

O espaço foi conquistado pelo novo, pela descentralização, por abrir a cultura a quem não era tradicionalmente do meio, em formas transversais de apoio (os pontos de cultura, cultura digital) que não tinham a ver com as caixinhas setoriais anteriores dos criativos de profissão (sem querer desmerecê-las). Diga-se de passagem, hoje o ministério é bem mais compreendido do que antes.

A descentralização do eixo Rio-São Paulo (na realidade, dos bairros ricos de Rio São Paulo), a criação de redes, sua ampliação e apoio, não é favor, não é lateral, não é secundária em uma política cultural brasileira. Ela é CENTRAL na criação de novos modelos e manifestações artísticas na cultura brasileira. Ela sim se alinha com as demais políticas de redução das desigualdades sociais.

A política do Minc não deve ser o gasto de energia para manter a velha estrutura de Ecads e afins. Na opção de onde alocar esforços, vale mais se posicionar para desenvolver o novo do que ficar a defender velhas estruturas (não confundir aí, velhas estruturas com manifestações culturais tradicionais, indústria cultural ou economia criativa, todas fundamentais).

A periferia, as redes, as novas e mais baratas formas de criação e re-criação de cultura são a chance do Brasil se colocar melhor como um dos nós das redes globais que dialogam cultura, ao mesmo tempo que resolve suas carências históricas com a população mais pobre de forma livre, pagando menos pedágios de copyright.  Fomentar as redes internas, fomentar a cultura, não só dividida em produção e consumo, mas no novo modelo onde todos somos produtores/emissores/filtros de cultura (sempre fomos, isso só explicita). E criar e nos preparar para os pontos de diálogo dela com o mundo, com as periferias e centros espalhados seja nos países ricos (que também tem suas periferias) ou nos pobres do mundo (que também seus centros ricos de cultura “clássica”, “cosmopolita” ou o escambau) .

Isso não é “em tese”. Isso já acontece, esse é o mundo de hoje. Só para ficar em exemplos fáceis a “exportação” (globalização, digamos assim) dos “periféricos” Seu Jorge, osgemeos e Vik Muniz; a formação de redes do hip-hop, da Central Única de Favelas e das bandas independentes do Fora do Eixo; os novos modelos de negócios na música nas cenas de funk e brega, do carnaval entre amador e profissional dos blocos das ruas cariocas, de quem o Ecad quer cobrar direito autoral e etc…A vitalidade em todas as artes cada vez mais emergindo de fora do eixo Rio-São Paulo!

Esse é o agora! O que, como disse antes, não impede que todas as outras linhas de política cultural brasileira não estejam também contempladas.

A questão básica é que uma cultura tão “espontaneamente complexa” como a brasileira não pode ter um Ministério da Cultura que pense pequeno ou seja careta.

Logo criado por @barbaraszanieck para a campanha para que o Minc continue a ter um olhar inovador sobre a questão dos direitos autorais. Saiba mais

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O artigo de FHC é bom, o problema é o autor

O artigo de Fernando Henrique Cardoso, publicado hoje em vários jornais como uma orientação de assuntos para a oposição é inteligente (íntegra do artigo abaixo, e inteligente não quer dizer que eu concorde com o texto). É um bom roteiro, com várias questões importantes. Inclusive o título é excelente, “Tempo de muda”. O problema inclusive é que o título  é tão bom que também se aplica ao autor e a oposição de forma mais ampla.

Podemos dispensar o exercício quase cruel de comparar as críticas de FHC ao governo Lula-Dilma com o desepenho dele como presidente. Beira o ridículo pensar em como foram construídos nas trevas os consórcios da privatização em seu governo, para ficar em um exemplo de contradição entre sua crítica e prática. Ou o uso do BNDES na sua gestão, de novo, para financiar a privatização.

A questão principal, para a oposição, é que ter um roteiro de críticas não é nem metade (e a mais fácil) parte do trabalho. A outra seria ter um plano interessante, que representasse anseios e melhor qualidade de vida para amplos setores da sociedade. Ter, enfim, uma proposta. Só que criar um ideário não é coisa assim tão fácil…

O PSDB não tem sequer programa para concorrer com o PT. Por isso, faz oito anos que esperam que o governo federal imploda em um fracasso que não chega, muito pelo contrário (com o mensalão em 2005, e a crise de 2008, tinham certeza que Lula naufragaria). O PSDB pode defender isso externamente, mas já era hora deles se darem conta que o PT não é tão incompetente a ponto de se auto-destruir. O irônico é que talvez, mesmo quando esse dia cheguar, provavelmente do jeito que estão conduzindo seu próprio partido não estarão preparados.

O PSDB começou querendo ser social democrata, mas chegou ao poder com a cartilha neoliberal dos anos 1990, e essa fracassou na prática, aqui e no exterior, e se tornou insustentável como discurso junto ao eleitorado. Hoje o exterior não tem nenhuma cartilha para exportar, ao contrário, o Brasil anda bem mais esperto e com rumo que os países desenvolvidos. Na sociedade o PT ocupou espaços que eram do PSDB, ao não assustar mais o empresariado e o mercado financeiro. E empurrou os tucanos para o canto direito, como partido elitista, preconceituoso e entreguista, defensor de um status quo de desigualdade e submissão ao exterior, enquanto o PT representaria o novo país de classe média e potência emergente. E, em parte por tudo isso ter algo de verdade, a caracterização pegou.

É realmente, tempo de muda, de governo, da oposição e de geração política, mas ao invés disso o PSDB acha que é problema de imagem e interpretação histórica do governo FHC, não de essência. Essa batalha já foi perdida. 2010 foi a última eleição “Legado Lula” X “Legado FHC”. Perdeu, playboy! Se o PSDB quiser seguir mantendo essa discussão estará encomendando outra derrota. Ele deveria preparar o discurso para frente, para superá-la.

O caminho da oposição de direita passa bem menos por discutir a intensidade com que fará oposição contra Dilma e bem mais pela redução do papel dos tucanato paulista nas disputas nacionais. De TODO o PSDB paulista. A coisa é simples assim: após perder 3 eleições nacionais, o PSDB-SP devia trabalhar em função da construção da canditatura Aécio, visando chegar ao planalto em 4 ou 8 anos. O PT levou 13 para chegar lá com Lula…

Fernando Henrique precisava ser mais prático e desencanar de defender seu governo ou querer ser figura de proa da oposição. José Serra deveria desistir da presidência e “jogar para o time” da construção partidária (sei que jamais acontecerá) e mesmo Alckmin deveria de cara se colocar ou como candidato à vice de Aécio caso seja a melhor opção, ou trabalhar sua releição.

Aécio é o candidato forte do consórcio PSDB-DEM-PPS.  É a chance deles. O resto são xurumelas imaginárias: aventuras de grupos (Alckmin) ou, nessa altura do campeonato, distúrbio maníaco-obssesssivo mesmo (Serra).

Se a oposição fosse capaz de largar as disputas internas em nome de uma construção partidária e arco de alianças, refazendo ideário, reforçando sua construção nacional, estatutos e a qualidade dos governos do partido, ficaria em boa posição para colher esse eventual colapso petista que eles prevêm que vai acontecer todo o ano desde 2002.

O “legal” de escrever isso é saber que o PSDB é absolutamente incapaz de seguir um roteiro desses. Porque debaixo dessa coisa moderna que eles acham que tem, é um partido marcado pelos mesmos cordialismos e caciquismos da política brasileira, com um estatuto débil, cultura interna nula e incapaz de se relacionar com a sociedade civil. O desprezo deles com as classes trabalhadoras e suas organizações está demonstrado no uso do termo “pelego” no texto de FHC para as organizações sindicais. Sindicatos de que o PSDB tem nojo , quando, em geral, são a base dos partidos sociais-democratas de verdade (no caso brasileiro, o PT, não o PSDB)

E ainda tem a infinita capacidade e energia do Serra e sua gangue de sobrepor sua agenda pessoal à da oposição, mesmo quando isso já não faz nenhum sentido…

Hoje o governo e o futuro domínio político imediato é do PT, que teria que perder para si mesmo para não seguir governando pelos próximos 8 anos. E o futuro alternativo é de alguém que vai voar abaixo do radar do dia-a-dia futriqueiro do jornalismo político: Marina Silva. Que tem um discurso e está construindo uma base (se tem um programa e quanto esse programa é consistente é outra coisa, mas ela definitivamente tem um discurso e está construindo uma base).

Já os tucanos…

Se o PSDB quiser passar mais quatro anos tentando reabilitar a popularidade do governo FHC, o PT vai adorar. FHC pode disputar o passado, seu papel nos livros de história, quanto quiser…Difícil é ele quere ter a ambição de ser protagonista da construção de qualquer futuro.

Tempo de muda, por Fernando Henrique Cardoso*

Novo ano, nova presidente, novo Congresso atuando no Brasil de sempre, com seus êxitos, suas lacunas e suas aspirações. Tempo de muda, palavra que no dicionário se refere à troca de animais cansados por outros mais bem dispostos, ou de plantas que dos vasos em viveiro vão florescer em terra firme. A presidente tem um estilo diferente do antecessor, não necessariamente porque tenha o propósito de contrastar, mas porque seu jeito é outro. Mais discreta, com menos loquacidade retórica. Mais afeita aos números, parece ter percebido, mesmo sem proclamar, que recebeu uma herança braba de seu patrono e de si mesma. Nem bem assume e seus porta-vozes econômicos já têm que apelar às mágicas antigas (quanto foi mal falado o doutor Delfim, que nadava de braçada nos arabescos contábeis para esconder o que todos sabiam!) porque a situação fiscal se agravou. Até os mercados, que só descobrem estas coisas quando está tudo por um fio, perceberam. Mesmo os velhos bobos ortodoxos do FMI, no linguajar descontraído do ministro da Fazenda, viram que algo anda mal.

Seja no reconhecimento maldisfarçado da necessidade de um ajuste fiscal, seja no alerta quanto ao cheiro de fumaça na compra a toque de caixa dos jatos franceses, seja nas tiradas sobre os até pouco tempo esquecidos “direitos humanos”, há sinais de mudança. Os pelegos aliados do governo que enfiem a viola no saco, pois os déficits deverão falar mais alto do que as benesses que solidarizaram as centrais sindicais com o governo Lula.

Aos novos sinais, se contrapõem os amores antigos: Belo Monte há de vir à luz com cesariana, esquecendo as preocupações com o meio ambiente e com o cumprimento dos requisitos legais; as alianças com os partidos da “governabilidade” continuarão a custar caro no Congresso e nos ministérios, sem falar no “segundo escalão”, cujas joias mais vistosas, como Furnas (está longe de ser a única), já são objeto de ameaças de rapto e retaliação. Diante de tudo isso, como fica a oposição?

Digamos que ela quer ser “elevada”, sem sujar as mãos (ou a língua) nas nódoas do cotidiano nem confundir crítica ao que está errado com oposição ao país (preocupação que os petistas nunca tiveram quando na oposição). Ainda assim, há muito a fazer para corresponder à fase de “muda”. A começar pela crítica à falta de estratégia para o país: que faremos para lidar com a China (reconhecendo seu papel e o muito de valioso que podemos aprender com ela)? Não basta jogar a culpa da baixa competitividade nas altas taxas de juro. Olhando para o futuro, teremos de escolher em que produtos poderemos competir com China, Índia, asiáticos em geral, Estados Unidos, etc. Provavelmente serão os de alta tecnologia, sem esquecer que os agrícolas e minerais também requerem tal tipo de conhecimento. Preparamo-nos para a era da inovação? Reorientamos nosso sistema escolar nesta direção? Como investir em novas e nas antigas áreas produtivas sem poupança interna? No governo anterior, os interesses do Brasil pareciam submergir nos limites do antigo “Terceiro Mundo”, guiados pela retórica do Sul-Sul, esquecidos de que a China é Norte e nós, mais ou menos. Definimos os Estados Unidos como “o outro lado” e percebemos agora que suas diferenças com a China são menores do que imaginávamos. Que faremos para evitar o isolamento e assegurar o interesse nacional sem guiar-nos por ideologias arcaicas?

Há outros objetivos estratégicos. Por exemplo, no caso da energia: aproveitaremos de fato as vantagens do etanol, criaremos uma indústria alcoolquímica, usaremos a energia eólica mais intensamente? Ou, noutro plano, por que tanta pressa para capitalizar a Petrobras e endividar o Tesouro com o pré-sal em momento de agrura fiscal? As jazidas do pré-sal são importantes, mas deveríamos ter uma estratégia mais clara sobre como e quando aproveitá-las. O regime de partilha é mesmo mais vantajoso? Nada disso está definido com clareza.

O governo anterior sonegava à população o debate sobre seu futuro. O caminho a ser seguido era definido em surdina nos gabinetes governamentais e nas grandes empresas. Depois se servia ao país o prato feito na marcha batida dos projetos-impacto tipo trem-bala, PACs diversos, usinas hidrelétricas de custo indefinido e serventia pouco demonstrada. Como nos governos autoritários do passado. Está na hora de a oposição berrar e pedir a democratização das decisões, submetendo-as ao debate público.

Não basta isso, entretanto, para a oposição atuar de modo efetivo. Há que mexer no desagradável. Não dá para calar diante da Caixa Econômica ter se associado a um banco já falido que agora é salvo sem transparência pelos mecanismos do Proer e assemelhados. E não foi só lá que o dinheiro do contribuinte escapou pelos ralos para subsidiar grandes empresas nacionais e estrangeiras, via BNDES. Não será tempo de esquadrinhar a fundo a compra dos aviões? E o montante da dívida interna, que ultrapassa um trilhão e seiscentos bilhões de reais, não empana o feito da redução da dívida externa? E dá para esquecer dos cartões corporativos usados pelo Alvorada que foram tornados “de interesse da segurança nacional” até o final do governo Lula para esconder o montante dos gastos? Não cobraremos agora a transparência? E o ritmo lento das obras de infraestrutura, prejudicadas pelo preconceito ideológico contra a associação do público com o privado, contra a privatização necessária em casos específicos, passará como se fosse contingência natural? Ou as responsabilidades pelos atrasos nas obras viárias, de aeroportos e de usinas serão cobradas? Por que não começar com as da Copa, libertas de licitação e mesmo assim dormindo em berço esplêndido?

Há, sim, muita coisa para dizer nesta hora de “muda”. Ou a oposição fala e fala forte, sem se perder em questiúnculas internas, ou tudo continuará na toada de tomar a propaganda por realização. Mesmo porque, por mais que haja nuances, o governo é um só Lula-Dilma, governo do PT ao qual se subordinam ávidos aliados.

*Ex-presidente da República

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10 temas para sonhar/construir uma São Paulo melhor

No aniversário de uma cidade onde a vida é tão complicada (no bom e no mau sentido) como São Paulo, talvez a melhor homenagem seja sonhar com melhorias para seus problemas crônicos, para que possamos nos orgulhar com o que há para se orgulhar daqui sem ficar colocando “poréns”.

Lembrei algumas iniciativas, de curto a mais longo prazo, que podem fazer a cidade melhorar muito.

Texto totalmente aberto a críticas, sugestões e correções nos comentários.

Conselho de representantes nas subprefeituras e conselho social

O governo Marta errou feio ao não implantar, por cálculos políticos mesquinhos, os conselhos de representantes eleitos nas subprefeituras. Em uma cidade com o tamanho de São Paulo, não tem como aproximar o poder público dos cidadãos sem descentralizar. Isso criaria maior fiscalização local das atividades dos subprefeitos, cargos historicamente (mal) usados para acomodar aliados políticos, e mal utilizados, com uma visão pequena de ser quase que apenas de zeladoria…

Além disso a prefeitura se beneficiaria de um “conselhão” da cidade, que reunisse entidades da sociedade civil para discutir suas questões, nos moldes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal. Isso obrigaria a prefeitura a pensar, planejar e dialogar com a sociedade e daria espaços para a sociedade cobrar, acompanhar e engajar-se por São Paulo.

Alternativas/restrições para os automóveis

Não é que “São Paulo vai parar”. Já parou. Para todo o dia. Você perde um tempão e qualidade de vida com isso! E a solução tem que combinar atitudes individuais com muita presença do poder público.

As pessoas precisam analisar se no seu dia-a-dia não sai mais barato e/ou mais rápido usar o transporte público, a caminhada, bicicleta, táxi ou carona solidária. Em regiões como a Paulista e a Faria Lima o estacionamento é tão caro, que chega a ser mais barato, previsível em tempo gasto e menos estressante usar outras alternativas. Ao invés disso, insistem em usar carro toda hora, sem nem calcular se é a melhor opção.

A prefeitura tem que melhorar a rede de ônibus (me impressiona como é medíocre a relação das empresas privadas e o poder público, que não percebem o potencial, até de negócio, de uma rede de qualidade de transporte público na cidade), criar circuitos de ciclovias, também dentro dos bairros (Kassab destinou só R$ 1 milhão para ciclovias, viu Soninha?). A classe média precisa parar de ser contra corredores de ônibus, atitude escrotíssima, e passar a demandar opções de transporte público. Serra, quando eleito, enterrou um plano que tinha financiamento do BNDES para fazer 300 quilômetros de corredores de ônibus nas principais vias da cidade.

Ao invés disso, São Paulo embarca em obras viárias bilionárias e ridículas, como a ampliação de faixas da marginal, estimuladas e as vezes mesmo projetadas descaradamente por empreiteiras. São bilhões e bilhões, desde de 1990, jogados fora em obras desnecessárias, superfaturadas e voltadas para enxugar gelo e alimentar caixa 2 de campanhas eleitorais.

Governo do Estado precisa conseguir acelerar o ritmo de implantação do Metrô (se bem que esse só fica cada dia mais lento). Sem a Linha Amarela completa, até o centro da cidade, o sistema está cada dia mais perto do colapso. Seria fundamental acelerar o cronograma das novas linhas, não adiá-lo, além de planejar a construção de mais garagens e integrações do metrô com a rede de ônibus/ciclovias e trens. O programa Expansão São Paulo, do Serra, que prometia muito, foi tratado como peça de ficção/propaganda assim que Alckmin assumiu.

RECICLAGEM

Em 2000 Porto Alegre, entre outras cidades, já tinha uma coleta de lixo reciclável que humilhava São Paulo. Até hoje a reciclagem na cidade está por conta do “terceiro setor”, de cooperativas, bem intecionadas, claro, mas continua sendo uma reciclagem voluntária e de pequena escala, enquanto as empresas privadas que tem contratos com a prefeitura lucram com um serviço medíocre e o poder público não cobra efetivamente a implantação de um sistema oficial e organizado de coleta de lixo reciclável.

Tanto na questão dos contratos com serviço de ônibus, quanto dos serviços de lixo, o tamanho da leniência e pouca exigência do poder público com as concessionárias traz a minha cabeça lembranças de uma palavra que começa com c e termina com ão.

CEUs/Escolas como centros da comunidade

Os CEUs, os originais, da Marta, e até as sub-cópias do Serra, mas não as sub-sub-cópias do Kassab (que mantém o nome mas não a dimensão do projeto original) criaram circuitos de diálogos culturais centro-periferia e locais de lazer em bairros pobres de São Paulo (Mano Brown diz que quando viu o CEU, era isso que ele cantava/queria na música “Fim de semana no Parque”).

As escolas, parques e demais equipamentos públicos devem ser construídos, não só na periferia, mas especialmente nela, com a dimensão de serem centros que reúnam e ajudem as comunidades a se organizarem para terem acesso ao lazer e cultura, mas também para se organizarem, discutirem e resolverem seus problemas.

Nesse ponto, é importante notar que o Alckmin vai retomar o programa Escola da Família na rede estadual, bizarramente encerrado por Serra quando assumiu o governo do Estado de São Paulo.

Retomar o centro como coração da cidade

A cidade precisa retomar os imóveis vazios devedores de IPTU (lembrança de @lucianomaximo), negociar com eles para ocupá-los por uma política de moradia social no centro (novamente, interrompida com a chegada de José Serra ao poder). E além disso, planejar uma política de múltiplos usos – cultural, empresarial, habitacional, turístico – para o centro da cidade. As principais iniciativas hoje nesse sentido são privadas, pontuais e não muito integradas, sejam os clubes noturnos que avançam no Baixo Augusta-Centro, sejam as requalificações de edifício pela iniciativa privada, motivadas pela escassez/escalada de custo de novos terrenos. A principal iniciativa da prefeitura, o projeto para a Cracolândia, é mais um uso do poder público como incorporadora/demolidora para lucros privados.

Planejamento urbano com visão ambiental/freio na voracidade imobiliária

Essa não é uma questão simples, mas São Paulo precisa colocar freio e exigir contrapartidas (públicas, não a propina usual) do voraz mercado imobiliário, principalmente em grande projetos. O Center Norte, por exemplo, era uma região de várzea do Tietê que foi toda asfaltada e elevada. Fizeram piscinão para compensar isso? E o impacto do Shopping Bourbon no trânsito? Ao mesmo tempo, São Paulo precisa de um adensamento urbano em regiões que já tem infra-estrutura instalada.

Sumaré, Pacaembu, Mandaqui, Águas Espraiadas, Tietê, Aricanduva, Pinheiros, não são nomes de ruas, bairros ou avenidas. São nomes de rios, que foram poluídos,  canalizados, retificados e muitas vezes escondidos sob concreto. Em janeiro, eles se vingam do que foi feito com eles, pegando inocentes nesse fogo cruzado. A cidade precisa rever sua ocupação de espaço e como convive com a bacia hidrográfica sobre a qual foi construída. Muitas vezes isso foi resolvido nos bairros ricos com piscinões como o Pacaembu. A solução, que envolve a Sabesp, é a revisão da nossa rede de esgotos, criação de estações de tratamento e parques lineares ao redor dos rios, e estudos e planos para contornar as cheias enquanto tivemos que conviver com elas. Muito mais do que não ter obras, me espanta como é pobre nosso plano de contingências para situações como os transbordamentos do Tietê (que com a ampliação das marginais e falta de cuidado com desassoreamento, voltaram a transbordar no governo Serra).

Conviver com o ambiente em que fomos construíndo envolve rever a ocupação de encostas e a impermiabilização do solo, o que de novo, envolve além do poder público, a população (estímulo a jardins em residências e armazenamento de água da chuva por condomínios para reuso).

Combate a pobreza – fim da birra com o governo federal

São Paulo, por uma opção política dos eleitores, no que é seu direito, assumiu essa de capital da oposição ao governo federal. Mas deveria acabar com a birra em trabalhar junto com Brasília no combate a pobreza da cidade, porque são as pessoas mais frágeis que pagam essa conta. São Paulo manda mal no cadastro do Bolsa Família (além de Serra ter acabado com o programa de complementação de renda da prefeitura) e não tem programas em escala para combater a pobreza extrema. A situação social da cidade melhorou junto com o crescimento econômico do país. Pro-uni, e geração de empregos, muitos na construção civil, mudou o cenário e a perspectiva das pessoas da periferia, que não mais “sobrevivem no inferno”, mas ao invés disso ralam muito mais que nós entre trabalho e faculdade, na luta por uma vida melhor. Mas as escolas públicas (estado e prefeitura) tem que dar condições reais de seus estudantes aprenderem tanto ou mais do que nas privadas (que não são grande coisa também).

A cidade tem que aproveitar o crescimento econômico e recursos públicos para reduzir a pobreza dentro dela.

Uso de novas tecnologias para tranparência, participação e mobilização

O governo Kassab criou o sistema que permite acompanhar nome e salários de cargos da prefeitura, e houve algumas autoridades e iniciativas aqui e e ali, como a zeladoria da Avenida Paulista, mas fez pouco além disso para usar as novas tecnologias (redes sociais, geolocalização) para que a população possa apontar problemas, ou se organizar localmente para atuar no seu bairro. O twitter da prefeitura, por exemplo é um “fala que eu não te escuto”. Imagine as possibilidades de reclamação usando o googlemaps, mobilização para discussão e ação em temas públicos, e por exemplo, orçamento participativo, usando a rede!

PS: Claro que eu não sou ingênuo de achar que os governos querem ser transparentes ou terem a população participando. Esse espaço tem que ser conquistado.

Cultura/Economia criativa/identidade

Talvez o principal termo seja que a cidade precisa se valorizar. Valorizar seus espaços únicos e históricos, sejam prédios, cinemas (como o Belas Artes), restaurantes tradicionais como O Castelões, grupos de teatro (como o Oficina ou o Vertigem) e sua fortíssima cultura urbana (hip-hop, grafite, pixo etc…).

São Paulo tem uma vocação para produção de cultura e economia criativa (publicidade, audiovisual, moda, música etc…). A prefeitura precisa estimular essa vocação e seus segmentos econômicos. Ela precisa integrar um circuito interno da cidade (como o Sesc já faz na sua rede, e os CEUs em parte) centro-periferia com circuitos de circulação estadual e nacional. Hoje São  Paulo está meio deitada em berço esplêndido cultural, se isolando de iniciativas novas que surgem pelo país (como o Circuito Fora do Eixo). No fundo, está ficando para trás. Precisa pensar em eventos como a Virada, e além, para reforçar o papel da cultura na identidade, recuperação de espaços urbanos (Praça Roosevelt), turismo etc… Usar a vitalidade cultural para recuperar bairros e regiões.

Iniciativas criativas e ambiciosas

Falta criatividade, iniciativas inovadoras e ambição de resolver os problemas. A postura da maioria da cidade, pessoas, prefeitura e muitas vezes do PT também, é pequena, mesquinha. Tirando o Cidade Limpa e a Virada Cultural do primeiro mandato do Kassab, ele não fez tantas inovações (CEU, Bilhete Único, uniforme escolar) e com tanto impacto quanto a Marta.

Um símbolo da jequeci e pensamento estreito desse governo é a falta de uma secretaria de relações internacionais. São Paulo é uma megalópole com população maior que a maioria dos países do mundo. Tem que se relacionar com outras mega-cidades, para programas de intercâmbio, parcerias culturais, obter recursos, atrair eventos.

A cidade (poder público/sociedade civil organizada/seus moradores) tem que ter uma (ou mais) visão de futuro e lutar por ela. Talvez o mais desesperador nesse aniversário de São Paulo seja isso. É que em meio a tantos problemas cotidianos, a cidade parece não ter um plano ou rumo. Ao menos um digno de reconhecimento.

O brasão diz que a cidade não é conduzida, conduz. Mas com uma mentalidade pública tacanha (não só do governo, mas de grande parte da população, como daqueles que acham que resolvem o trânsito buzinando) São Paulo sequer sabe para onde ir, e vai sendo conduzida no improviso, em meio aos ventos, chuvas, carros e caos do peso do seu próprio gigantismo…

Hora de rever esse orgulho dos seus defeitos, deixar de achar que eles são insolúveis ou comprar soluções falsas e começar a andar em direção as soluções que levarão muito tempo para se concretizarem.

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Os retardatários do atraso – ou a imprensa e Serra

Acabei de ver pela primeira vez o “novo” Roda Viva, entrevistando Demétrio Magnoli. Ainda volto ao tema. Mas enqanto assistia  pensei em Serra, na TV Cultura, na nossa grande imprensa, nas bancas nos dias de hoje, na Veja, que eu já analisei tanto, Folha de S. Paulo, direita brasileira etc… E a guerra santa deles contra blogs, twitter, Lula, Dilma, a popularidade do presdente etc…
Eu não pensei sozinho não. Conversei muito com a minha irmã. “Não tenho jornal para ler. É tudo idiota, fascista, mentiroso. Eu não posso ler uma crítica justa ao governo, bem feita.”
A questão toda é essa. Nesse mês que vai até as eleições e talvez por um tempo depois, vamos ver um espetáculo muito tosco. Onde jornal é Folha de S.Paulo, revista é Veja, e intelectuais são o Reinaldo Azevedo e o Magnoli. Essas são as referências deles…
O ponto é que se não fossem tão fiéis à suas próprias naturezas – toscos (a palavra merece ser repetida), preconceituosos, isolados na sua visão de elite ou classe média arrivista e medrosa –  talvez pudessem de fato construir críticas aos aspectos negativos que existem no PT e no governo. Talvez conseguissem construir uma alternativa. Talvez conseguissem ser a oposição que querem ser. Quem sabe até cumprir uma função pública construtiva como oposição. Mas hoje o atraso no Brasil está conseguindo ser incompetente até no seu papel de ser reacionário…(essa tese de mestrado de Fabio Jammal Makhou, na PUC-SP é genial nesse sentido, ao mostrar que a tosquice da Veja em tentar derrubar Lula só fortaleceu Lula).
A mídia diz que é problema do Serra, que não parte para o confronto direto, ou do PSDB, que não fez oposição por 8 anos. Serra acha que falta apoio da mídia. O problema são sempre os outros. Não enxergam que se merecem, são espelho um do outro: toscos, avessos ao debate, a organização, incampazes de atuar no longo prazo ou construir instituições que funcionam, adeptos dos conchavos, traições e personalismos.
O que dizer de um candidato cujo “plano de governo” são dois discursos seus… E que se defende “mas eu escrevi mesmo os discursos”. Plano de governo deveria ser uma peça séria desenvolvida por gente de várias áreas em debates inteligentes, cobrindo e integrando temas complexos com propostas de políticas públicas. Não redações: “O que eu farei como presidente”, não importa quem seja o autor.
O que dizer da Folha de S.Paulo?  O que as pessoas tem que fazer para se tornarem chefes naquele ambiente? Ou na Veja? Quanto diversidade foi expulsa da imprensa no eixo Rio-São Paulo-Brasília? Eu tenho hoje dó de ver essa burrice de Merval Pereira, de Augusto Nunes, tentando achar em seus repertórios pobres, em sua cultura de salão, no meio da sua empáfia que deve ter sido muito útil  para chegarem onde chegaram, uma saída para se contrapor ao “apedeuta”, ao “analfabeto”, ou para não serem humilhados em blogs feitos por pessoas no seu tempo livre… eles ficam tentando travestir de “análise de política” tentativas desastradas de consultoria política ao PSDB. É ridículo.
O que sobrou na oposição? É importante lembrar que eles não são a elite, o capital, os poderosos, o fisiologismo, ou mesmo muitas das oligarquias. A maioria desses, os mais ponderados, sensatos, ou mais espertos no cuidar dos seus interesses também estão com a Dilma. O mercado financeiro está com o PT, o que é bizarro em muitos sentidos. Mas um dos mais interessantes é ver o que sobrou, nessa imprensa mais realista que o rei, mais tucana que os tucanos, exposto para quem quiser ver:
a burrice e o preconceito estão desnudos.
Voltemos ao Roda Viva. Tradicionalmente um espaço de debate, de entrevistas amplas que vem desde a redemocratização do país. O PSDB finalmente conseguiu destruí-lo. Por causa de uma pergunta sobre pedágios feito ao Serra, finalmente acabou sua pluralidade, diversidade e colocaram no comando a apresentadora mais perdida e rasa de toda sua história, nada pessoal contra a Marília Gabriela, é só uma pessoa completamente deslocada de onde deveria estar, para ser útil a essa imbecilidade. Dois jornalistas medalhões “caga-regras” fixos, independente de serem quem são, e até respeito o Paulo Moreira Leite, mas em plena era onde esses tipos ficam cada vez menos relevantes e patéticos…E só dois  convidados rotativos.
Como Magnoli é opositor das cotas, deram de chamar em uma dessas vagas o escritor Paulo Lins. E Paulo Lins, a certa altura, apontou o óbvio, denunciou a farsa estrutural de sua presença ali: por que ele era o único negro na mesa? E por que eles não notavam que ele era o único negro na mesa de entrevistadores, mas que entre os técnicos a proporção de negros era maior? Todos se indignaram, se ofenderam, e reagiram em uníssono contra Paulo, como se  que ele tivesse dizendo fosse racismo, depois tratando-o de forma condescendente.
Típico! Típico! Típico!
O que Paulo Lins tentou foi denunciar que sua presença ali era uma espécie de “cota racial”. Ou concessão. Para fazer o papel de negro que defende as cotas.Imagine a produção “xi, o Magnoli  ataca as cotas, mas não tem nenhum negro na bancada. Ah, vê se o Paulo Lins pode vir…”
No fim, Magnoli, talvez tenha feito forma perversamente calculada, mas provavelmente de forma incosciente, comentou as participações de todos os entrevistadores. Menos de Paulo Lins. Menos do negro que estava ali para justificar que eles não eram racistas, que não havia discriminação no debate. Para “fazer uma pose” e “dar um colorido” ao debate.
Essa gente não nota que faz essas coisas. Não nota o quanto discrimina. Não nota quanto oprime a empregada. Não nota a arrogância idiota e ignorante de São Paulo em relação ao resto do país. Não nota e não quer reconhecer o que os últimos 8 anos representaram – no campo simbólico, mas ainda mais na prática – para o Brasil. Não percebem que isso é obra de muito mais que um homem, ou partido, mas de uma trajetória do país. Preferem dizer que tudo foi conquistado por FHC, para não quebrar sua escala de valores simbólicos. Falam demais. Ouvem muito pouco. Não enxergam nada que escape aos seus preconceitos. Vão para a Europa e Estados Unidos, e não entendem porcaria nenhuma, confundem primeiro mundo com ostentação. Nesse mês  que estarão histéricos  tudo isso será ainda pior.
Não é por causa do PT, de Lula, das pessoas de esquerda que essa gente está esfarelando. É culpa da indigência mental, moral, de projeto, de relação com o Brasil  que eles tem.
Esses nossos compatriotas…pareciam imbatíveis, tão pouco tempo atrás…que decepção…Mas era de se esperar que o programa de incentivos à burrice deles fosse terminar nesse show tosco que estamos vendo nos jornais e TVs deles esses dias.

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Enchentes, Sabesp e a imunidade midiática dos tucanos em São Paulo

Parte substancial da cheia no rio Atibaia, que atinge uma série de cidades ao longo da Rodovia Dom Pedro I [Atibaia, Nazaré Paulista, Bom Jesus dos Perdões etc…] , é responsabilidade da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo, a Sabesp, empresa estatal do governo de José Serra. Simples assim. Mas acho que isso não vai ser dito, divulgado ou discutido na imprensa. Simples assim de novo.

O essencial da história está nesse link de um jornal local de Atibaia. Resumindo: a Sabesp não desassoreou os rios da região, nem permitiu que as prefeituras locais fizessem isso. A Sabesp sabia em setembro que a represa estava em 85% de sua capacidade, quando o normal é começar o período das chuvas em 45% [e sair dele com em torno de 90% dessa capacidade]. A Sabesp poderia, gradualmente, desde setembro, liberar água da represa aos poucos, para evitar a situação atual, quando o sistema está com 97% de sua capacidade, e tendo que liberar uma quantidade enorme de água para não colapsar. Você pode monitorar os mananciais no site da Sabesp . A prova que o problema era previsível, para ser mais exato, que tinha sido previsto pela empresa faz meses pode ser encontrada em uma matéria do Estado de S.Paulo de 30 de setembro.

Mas se você leu a matéria do Atibaia News soube que então a Sabesp decidiu não adotar a prática constante de liberar aos poucos água da represa. E por que? O jornal levanta a hipótese de interesse financeiro, já que para Sabesp, água é dinheiro. E desassoreamento de trechos de rio abaixo das represas é só custo…

Está claro que a empresa tinha [tem] capacidade técnica para identificar e resolver o problema. O erro foi de gestão e decisão política. Essa devia ser a responsabilidade apontada. Como deve ser em caso de erros do governo federal, municipal etc…Sempre.

Mas os tucanos tem imunidade midiática em São Paulo. Não quero dizer com isso que não saem matérias contra eles, ou dados na imprensa que revelam os descasos do governo, como a completa incapacidade de adotar a lei que implanta o ensino de espanhol no ensino [ na Folha de S. Paulo, para assinantes]. Mas esses flagrantes de descaso e incompetência tem pouco destaque e não se chega aos verdadeiros responsáveis.

Os tucanos administram São Paulo faz 15 anos. Herdaram um banco supostamente quebrado que foi federalizado [o Banespa] e que hoje faz a alegria e salva mundialmente com seus lucros o grupo espanhol Santander. Em 15 anos os tucanos não conseguiriam gerenciar o outro banco do estado, a Nossa Caixa, tendo que vendê-lo para os “incompetentes” do governo federal. Veja bem: os tucanos não conseguiram gerir dois bancos em São Paulo, e o estado hoje não tem nenhum. Querem gerir 3 no governo federal [BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil], fora o Banco Central.

A Sabesp  é outro nó. Uma empresa gigantesca, lucrativa, mas que falha em ampliar seus serviços no ritmo necessário para a saúde da população e o meio ambiente do estado, e cujos lucros são usados para o caixa do tesouro, ao invés de reinvestidos ou das taxas de água e esgoto se tornarem mais baratas. Isso quando não financia a propaganda de Serra fora do Estado.

Aparentemente a empresa está aparelhada para fins políticos, seus recursos são usados como caixa do tesouro e não propriamente reinvestidos e ela não gerenciou da melhor maneira possível o sistema Cantareira, o maior e mais importante da empresa. Processos devem vir por aí das pessoas afetadas pelas enchentes com prejuízos financeiros ao longo prazo.

Sabe, faz muita falta ao tucanato paulista [e mais ainda a população debaixo dos seus governos] uma fiscalização da imprensa como esta faz em cima das gestões do PT.

Um exemplo é essa matéria da Globo sobre o tema, que culpa a chuva, diz “tudo”, mas não analisa nem explica nada…Ao contrário. A empresa ainda paga de gatinha, moderna e hiper-competente nele…

http://sptv.globo.com/Jornalismo/SPTV/0,,MUL1444350-16576,00.html

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Lula ganhou o jogo no campo do PSDB

Uma das maiores dificuldades do candidato do PSDB que o Serra escolher para o ano que vem (o próprio ou o Aécio se Serra achar que não tem chance), será a falta de discurso, apelo, apoios e projeto contra a candidata de Lula, Dilma Rousseff. Isso acontece por vários motivos, mas um deles talvez ainda tenha sido pouco falado: Lula dominou os critérios que o PSDB alardeava serem importantes para avaliar um governo.
Vejamos rapidamente:

– O Brasil atingiu o “nirvana” tucano: o “investment grade”

– Reduziu o risco país

– Aumentou as defesas contra crises financeiras internacionais.

– A Bolsa de Valores nacional e o tamanho e faturamento das principais empresas do país disparou

– Aumentou a proporção do comércio exterior em relação ao PIB

– Melhorou a relação entre exportações e importações da balança comercial

– Pagamos os empréstimos do FMI

– As reservas e mudança do perfil da dívida eliminaram a necessidade de financiamento anual em moeda estrangeira

– O país melhorou sua imagem no exterior (sendo o maior símbolo disso as Olimpíadas de 2016), aumentou sua importância no cenário internacional e influência regional.

Outro exemplo, a relação dívida/PIB estava em queda vertiginosa antes da crise financeira. Chegou a 38,8% em 2008. Ano que vem deve subir para 44% (tal relação subiu praticamente no mundo inteiro como conseqüência da crise. No Brasil, o aumento da dívida PIB foi relativamente baixo).
No ano 2000, pleno governo FHC, tal relação estava em alta constante e atingiu o pico de 55%. Em dezembro de 2001 estava em 53,36%. Sendo bastante justo, Armínio Fraga então previa muito bem que em 2010 a dívida/PIB chegaria a 35,9% mantida a sua linha macroeconomia, e caso houvesse crescimento do PIB e queda dos juros (como vinha acontecendo).
Isso significa, como dizem, que Lula, simplesmente “manteve a política de FHC”? Não é tão simples. Estou preparando cinco textos para expurgar o que penso sobre o passado, presente e futuro do Fla X Flu da política nacional: Lula do PT X FHC e Serra do PSDB. Mas resumindo, o governo Lula de fato manteve a linha macroeconômica desenhada por Armínio Fraga (faz diferença especificar) mas conseguiu isso sem executar o programa amargo que o PSDB dizia ser necessário para chegar a esse “paraíso” (sic). Vejamos:

– O governo executou apenas parcialmente a reforma da previdência do setor público. E não mudou a do setor privado para o modelo de contas individuais.

– O programa de privatizações foram paralisadas quase que completamente. Não houve nada da escala de uma Vale, Banespa, Sistema Telebrás, Embraer ou blocos de ações da Petrobrás. Ao contrário. O governo adquiriu empresas e reforçou a atuação, principalmente dos 3 bancos federais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES)

– Não houve reforma trabalhista. Ao contrário, aumentou a fiscalização e formalização do mercado de trabalho

– Os sucessivos ganhos reais dos salários mínimos não causaram inflação ou desordem nas contas públicas

– Não precisamos abrir mais o mercado interno para produtos e serviços, com propunha a Alca ou a OMC, para termos maior acesos aos mercados e aumentarmos exportações. A China e a política de diversificação dos mercados se encarregaram disso

– O aumento de pessoas e salários no funcionalismo público em escala razoável não causou o caos. Acabou a precarização planejada de setores e instituições públicas como o sistema de universidades federais e várias autarquias. Está longe de ser o ideal, mas para vários setores foram feitos planos de carreira, concursos foram abertos etc…

Ou seja: O PT atingiu as bandeiras do PSDB ao mesmo tempo em que esvaziou o programa de ações do partido, superando-o. Isso sem falar de áreas em que o PSDB nem tinha tanto foco: ampliação do acesso ao crédito, distribuição de renda, habitação, Bolsa Família e ampliação da seguridade social, agricultura familiar, infra-estrutura (compare a efetividade do PAC com o “Avança Brasil” do FHC), cotas etc…
Como existiram ganhos consistentes e seguidos de renda em todas as classes sociais (e redução das classes mais baixas com crescimento da classe média) fica mais fácil entender a popularidade de Lula. Como o governo mantém uma prática de se relacionar com vários setores organizados, mesmo aqueles que tem conflito um com outro, usando partes diferentes da máquina do Estado para tanto (Exemplo: o Min. Da Agricultura defende o Agronegócio enquanto o do Desenvolvimento Agrário é próximo do MST e de entidades de agricultura família. Desenvolvimento-Fiesp; Trabalho-Centrais Sindicais) praticamente toda a sociedade civil sente que tem canais de relação e representação dentro do governo, que internaliza os conflitos (arbitrados pela figura “paternal”e singular do Lula). Não significa que todos esses setores apoiarão a candidato do Lula. Mas que tem pouca motivação para romper com o status quo e apoiar a oposição.
O PSDB mantém de forma automática o mesmo programa de “como”: as velhas reformas neoliberais que reduzem direitos, privatizações e abertura de mercado. Mas não consegue dizer para que precisamos fazer isso. Nem consegue explicar o porque de quando fazíamos isso a situação piorar cada vez mais. Não consegue sequer perceber, mesmo com Lula dizendo isso em entrevista, que toda uma geração de questões se esgotou, e são necessárias nova ambições, para um país com uma composição social diferente (longe dela ser suficientemente diferente).

O fato é que a candidatura do PSDB, principalmente se for Serra, sequer conseguiu ainda admitir a existência desse novo país e se relacionar simbolicamente com ele. A direção do PSDB já descobriu o problema. Mas ao entrar em campanha, vai ser difícil conter e afinar discurso com a extrema direita da elite conservadora, financista e midiática de São Paulo, antigos coronéis da política nordestina, e conservadores do Sul e Centro-Oeste, a base que sobrou para uma candidatura de oposição ao governo Lula.

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