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Veja e a liberdade de “prensa”

Não li, nem vou ler, a matéria da Veja sobre os supostos ataques a liberdade de imprensa feitos pelo PT/Lula/governo (devem estar se referindo às críticas contra a cobertura eleitoral e escândalos de corrupção).
Vou só aproveitar a oportunidade para explicar o pouco que sei de como funciona a liberdade de imprensa dentro da Veja. Essas informações são de alguns anos atrás, talvez tenha mudado, acho que não.
Os repórteres apuram as matérias. Mas não escrevem matérias, e sim relatórios, enviados aos editores. Os editores, em espaço separado dos repórteres, escrevem o texto, dando aquela famosa cara de que toda a revista foi escrita pela mesma pessoa, com o mesmo estilo.
O repórter, ou os repórteres, que apuraram os fatos só vão ver o texto já diagramado e com fotos, igual vai sair na revista, quando ele sair de uma impressora dentro da redação. Eles ficam lá, aguardando (aguardar é uma atividade comum lá dentro) para ver o que vai sair, tirar alguma dúvida do editor ou dos checadores de fato, e corrigir algum erro daqueles erros que eles corrigem (grafia de nome, por exemplo).

Essa é a liberdade de expressão da Veja.Os editores invertem coisas apuradas, colocam ali suas teses, opiniões, piadinhas etc…
As matérias que não são assinadas, ou foram apuradas por muita gente ou o repórter pediu para ter seu nome tirado da matéria. Mas atenção! Cada vez que um repórter pede para não assinar algo ele se queima um pouquinho dentro da redação da Veja. Ele tem que entrar entusiasmado e seguir o modelo de produção da “maior revista do Brasil”. Um recém-entrevistado para trabalhar lea foi avisado antes de entrar para trabalhar na revista, em termos amis ou menos assim, que a Veja “altera texto mesmo, tem inimigos mesmo, tem opiniões mesmo” (estou reproduzindo de memória o que quem passou pela entrevista me disse, faz tempo). No primeiro texto que ele fez e colocaram o nome dele, ele disse que o que saiu era o exato inverso do que havia no relatório da apuração.

Lembro de quatro amigos que saíram da revista. Para todos a Veja foi uma experiência pesada. Todos ficaram mais joviais, alegres e bonitos depois de saírem de lá. A frase que mais me marcou foi a de uma delas que disse “em algumas matérias que eu fiz eu me senti estuprada”. Ela não se sentiu ofendida, com seu nome mal usado. Ela se sentiu, veja o termo, violentada.

A Veja tem uma estrutura imensa de repórteres, fotógrafos, diagramadores e checadores de fato a serviço de meia dúzia de teses, preconceitos e posições dos seus editores, do Reinaldo Azevedo e do “seu” Civita, herdeiro dono do negócio. Se os fatos entram em conflito com as teses, danem-se os fatos. É liberdade de imprensa que não acaba mais para quem pode mandar. Liberdade poética, dos fatos, da realidade…Quem te juízo, assina o texto e fica quieto. É assim a liberdade de “prensa” da Veja. De prensar quem bem quiser e ignorar o que quiser.

Por exemplo: a capitalização da Petrobras (a maior do CAPITALISMO) atraiu dezenas de bilhões para novos investimentos no Brasil. Vai ter impacto no rasil pelas próximas décadas. Não tem uma matéria na edição impressa. Quando os tucanos traziam “bilhões” para as privatizações (o grosso da grana era do BNDES e fundos de pensão) a Veja gozava e colocava na capa. Se FHC tivesse feito essa capitalização (não que tivesse capacidade de construir algo assim) não seria capa com 30 páginas de louvação?

Veja não é tão importante quanto parece, nem essa discussão atual sobre liberdade de imprensa vai dar em muita coisa…Porque na realidade, não tem imprensa nenhuma sendo “atacada” (criticada sim), nem risco real de ameaças contra a democracia ou de efetiva manipulação eleitoral por parte da imprensa. A democracia está tão estabelecida, que podemos nos dar o luxo de fingir que não, como um hétero travestido de mulher no carnaval jamais será questionado na sua opção sexual.

O que existe é muito bafafá para já tentar enfraquecer um governo Dilma que controlará o congresso e evitar assim mudanças de legislação ou um aumento ainda maior de poder do PT.

Não vou então nem para eventos contra a manipulação da imprensa, nem para eventos a favor da “democracia” em clubes militares. Mas quando tiver algum evento para defender a verdadeira liberdade de imprensa e diversidade dentro da Folha, da Globo ou da Veja, pode me chamar que eu vou.

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Veja online erra mapa do Nordeste

E com isso, faz desaparecer o Ceará. O erro foi percebido por internautas e corrigido pela revista, que o assumiu. Mais no blog de Nivaldo Ribeiro, morador da capital do estado “abduzido”, Fortaleza.

http://colonline.blogueisso.com/?p=10302

Erros acontecem. Mas fica a pergunta. Vocês acham que a redação da Veja erraria onde fica São Paulo no mapa do Brasil? Conforme o país cresce, principalmente outros setores sociais e estados, e a internet conecta tudo isso, cada vez mais o modelo ultrapassado do centro “pensante”, com uma redação concentrada as margens do Rio Pinheiro, modelo do qual eu mesmo também sou produto, fica ultrapassado. Mas até dizer isso já é ultrapassado…

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O “método” Mainardi

Diogo Mianardi anda meio triste. Ele não faz mais o barulho que fez um dia. Reinaldo Azevedo roubou parte do holofotes do mundo das trevas. Então é natural que ele fique feliz quando acha um tema precioso ao seu método de trabalho. Esta semana foi Chico Buarque.

Mainardi funciona assim: ele acha algo que sabe que vai causar raiva, aperta ali e espera a reação revoltada com o artigo para se valorizar. Já fez isso com o futebol brasileiro (disse que não sabíamos jogar), com o maratonista Wanderlei Cordeiro de Lima (que segundo ele não teria ganho a medalha de ouro na Grécia mesmo se o padre irlandês não tivesse se jogado nele) e a cidade de Cuiabá (dizendo que pagaria para não visitá-la).Fez isso também com o Elio Gaspari. Que deu a melhor resposta possível para ele: nenhuma.

Esta é sua “estética”. Dela derivam obras de uma simplicidade primária como “Contra o Brasil” e “Lula é minha anta”.

É um sisteminha simples e infantil e Mainardi só pode ser entendido assim, se você perceber que ele e sua obra são todas infantis, de garoto mimado. Esta semana ele “pega” Chico Buarque (e de quebra Milton Hatoum), porque sabe que ele é um ícone respeitável, melhor ainda que é de esquerda, melhor ainda que mais bem sucedido do que ele em uma área que lhe é cara (literatura), e o chama de “fraude”. Baseado (e “escudado”) na opinião de uma escritora irlandesa Edna O´Brien.

Da obra literária de Chico Buarque só li “Leite Derramado”. Não gostei muito. Mas também não chega a ser fraude. E é claro que Buarque se beneficia ao entrar na literatura de toda sua história e grande obra como compositor. Mas isso é mérito dele. E tomar a opinião de uma escritora irlandesa como “verdade” ou “revelação”, bem, quão ridículo é isso?

Mainardi trabalha este esqueminha dele. É uma fraude. Uma fraude profissional, cotidiana e recorrente. Fraude é seu trabalho e por ele é bem pago. Como é tão bom profissional da fraude (será por isso que Daniel Dantas gosta tanto dele?) a faz de maneira séria. Sobra assim para Mainardi ao menos o benefício do paradoxo de ser uma fraude elevada à arte. Como ele mesmo diz na última frase de seu texto “neste país fraudulento, o que mais espanta é a facilidade para enganar a plateia”. Tem razão. Fica a pergunta: onde mais Mainardi poderia ser tão bem sucedido fazendo o que faz? Este é outro paradoxo divertido em relação ao playboyzinho: só no Brasil ele poderia desenvolver tão bem sua carreira de falar mal do Brasil de forma tão pré-primária.

PS: Flávio Moura, entenda o texto assim: o Mainardi quer ser convidado para a próxima edição da Flip.

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