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Guia Remídia para a Virada Cultural

Esses são os shows que eu indico na Virada Cultural. É humanamente impossível ir a todos, então tem que escolher e não pode haver síndrome de estar perdendo algo, mas tem poucas coisas boas batendo exatamente no mesmo horário.

Também sempre é legal flanar um pouco…quero dar uma olhada na área “nerd” do Vale do Anhagabaú, e não mencionei nenhuma atração especifica, mas é bem legal com um todo o palco da cultura periférica, na Santa Ifigênia…

Outra coisa. Achei o início, entre 18 e 23:00, bem fraco. Pensando seriamente em começar pelo Coisa Fina na Luz…Virar até de manhã, descansar, e recomeçar com a Rumpilezz de tarde.

Meus obrigatórios são o encontro de Toni Tornado e Dom Salvador e Abolição, Banda Mel, Gaby Amaranto, Riachão (mas acho que vou perder…), a Rumpilezz (sempre), Erasmo Carlos e seria a Orquestra Voadora se eu já não tivesse visto 3 shows deles esse ano!

Indiquem os seus também!

Programação pessoal

21:00 Chicha Libre (São João)

22:30 Coisa Fina (coreto do Parque da Luz)

23:00 Skatalites (São João)

00:00 Toni Tornado e Abolição – obrigatório (República) Dominguinhos (barão de limeira)

1:00 Eumir Deodato (Líbero Badaró)

2:00 Genival Lacerda (barão de limeira)

3:00 Banda Mel (Arouche)

5:00 Orquestra Voadora (Arouche)

6:00 Gaby Amaranto (barão de limeira)

7:00 DJ Dolores(São João)

8:00 Monarco (República)

9:30 Orquestra Fervorosa e Inezita Barroso (Palco Estação da Luz)

10:00 Riachão – obrigatório (República)

11:00 A Cor do Som (Arouche)

12:00 Almir Sater (barão de limeira)

13:00 Orkestra Rumpilezz – obrigatório (Líbero Badaró)

14:00 Leandro Lehart (República) Maria Alcina e Edy Star (XV de Novembro)

16:00 Mart´nália (República)

17:00 Erasmo Carlos (Arouche)

18:00 Paulinho da Viola (República)

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Top ten – Playlist do Aquassab para curtir nas enchentes

10 músicas para curtir nas enchentes paulistanas. Sugira a sua!

Essa é o tema da Kassab “se eu fizesse parar de chover, nos primeiros erros…(…)mas só chove e chove…”

Essa é o tema da Sulamérica Trânsito

queria ver o Raul cantar isso se morasse hoje em São Paulo

são as águas de março fechando o verão

está chovendo de novo!

Vai desabar água

é pros pingo da chuva me molhar

Está chovendo na roseira, na avenida, na marginal e em todo o resto

“Chove lá fora e aqui, faz tanto frio”

e para levar tudo na esportiva

sugestões dos leitores

@antonionavarro lembrou (e como eu pude esquecer) o clássico do Jorge Ben, em imortal interpretação de Topo Gigio, apaulistando o clássico

Thiago Mesquita e Lucas Cirillo chamaram o cronista Kid Moringueira

e Paula Narvaez e Juliana Freitas vieram com uma pegada mais rock´roll com Riders on the storm

Esse revival de Guilherme Arantes parece ter algo a ver com Aquassab. @anandabrasil mandou essa

@joserobertov lembrou de “Água” com Pato Fu

E eu mesmo relembrei dos Beatles. “The Long and Winding Road”, que deve estar interditada, porque a chuva “limpou o caminho”

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As chuvas, a volta para casa e o paraíso

por Ana Flávia Chrispiniano

Que Gandhi me perdoe, mas minha vontade mais primitiva na volta pra casa de hoje era pegar o Kassab e o Alckmin pelo braço e jogar na enxurrada pra ver se nadavam. Se dependesse de consciência pesada, calculo que não afundariam. Até agora não deram nenhuma declaração a respeito das calamidades que os paulistanos vêm enfrentando este verão, de onde concluo que para eles uma chuva que durou 20 minutos parar a cidade às três da tarde está dentro da absoluta normalidade.

Na Estação República do metrô, as filas na catraca estavam tão grandes que uma moça comentou, brincando: “Já são seis horas?” Ou seja, se fosse seis horas tudo bem porque a gente já tá acostumado…mas às três não! Ok, a moça disse a frase sem pensar e eu sou uma chata. Mas não consigo deixar de pensar que é um problema deixar de pensar que pode ser diferente!

Isso é o mais triste: o povo enfileirado que nem gado, olhando pro céu a procura do réu e achando graça da desgraça. Até quando a gente vai adaptar nossas vidas privadas a situações absurdas – correndo riscos de proporção real nas ruas ou imaginando proporções distorcidas pela TV, trancados em casa – e ser coniventes com o abandono dos bens públicos?

Se ao invés de reclamar dos impostos, fosse cobrado o bom uso do dinheiro; se ao invés de reclamar dos protestos que atrapalham o trânsito se fizesse um protesto contra o trânsito…Talvez assim nossos representantes se lembrassem mais de nós. Talvez assim nossos representantes se lembrassem que nos representam.

Mas é cada um por si, Deus mandando chuva pra todos e uns bonecos de cera sendo eleitos e reeleitos para ocupar as cadeiras do Executivo e apenas fingir que o Estado ainda existe em São Paulo.

 

Mais do que nunca, impera por aqui a tal visão do Estado como mero gerente do grande mercado da vida. E não se fala mais nisso. Se resolver tocar no assunto, provavelmente terá a sensação de não ser ouvido, ou de falar uma língua morta/incompreensível. É latim ecoando num longo corredor vazio, onde o  que interessa é saber como ganhar dinheiro pra salvar a própria pele.

A grande maioria dos livros que vejo se abrirem no metrô (em pé, com desconforto pra virar a página)versam sobre um paraíso qualquer a ser alcançado após a morte ou num futuro próximo, caso você “seja esperto e aprenda a enriquecer dormindo”.

Isso me preocupa. E não sou pessimista, pelo contrário. Só quero que a gente possa alcançar o Paraíso que está logo ali, a algumas estações.

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Plano de Kassab para São Paulo é “ideia de jerico”

Fiz questão de pegar a matéria da Folha de S. Paulo sobre o plano de Kassab para São Paulo e disponibilizá-la. Só inverti a ordem, colocando a análise dos especialistas (unânimes na condenação do plano) antes da notícia.  Não é possível uma boçalidade como essa do Kassab. Não é possível uma prefeitura tão burra que venha com uma proposta dessas, que só interessam empreiteiras, nessa altura do campeonato…Também não dá para acreditar que o paulisano queira/sinta falta de mais vias “expressas”, para seguir apartado da cidade como via de passagem, ou que acredite que elas serão mesmo expressas, e não monstros congestionados.

Pergunta para Kassab e seus eleitores: você é um jerico?

Você também pode ler mais sobre o plano do Kassab nesse post

É a mesma ideia de jerico, diz especialista

Engenheiro diz que só investimentos em transporte público vão reduzir a circulação de automóveis e a poluição

Presidente da ANTP diz que plano não encara o problema de frente; ônibus também vai ganhar, diz prefeitura

DE SÃO PAULO

Para especialistas, priorizar projetos para a circulação de carros vai na contramão do que a cidade precisa.
“O problema é fazer as pessoas andarem mais rápido, não os carros”, diz Ailton Brasiliense, presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e ex-diretor da CET na gestão de Luiza Erundina (1989-92). Para ele, a prioridade deve ser o transporte coletivo.
Horácio Augusto Figueira, mestre em transportes pela USP, concorda. Ele diz que a ideia é muito parecida com o Plano de Vias Expressas dos anos 1970, mas num contexto bem menos justificável.
“É a mesma ideia de jerico. Falar em vias expressas na situação em que o planeta vive, numa cidade como SP, é assinar atestado de óbito.”
O melhor, diz, é investir mais em corredor de ônibus. Brasiliense diz que o mais complicado é que “não se encara o problema central de frente”. “Nós ficamos o tempo todo construindo sistema para automóvel, vide as dez faixas da marginal Tietê.”
Melhorar a circulação de carros, diz Brasiliense, só colocará mais carros nas ruas.
A prefeitura afirma que a melhoria da circulação dos carros por meio dos anéis e eixos viários vai ajudar a liberar as vias radiais estruturais para os ônibus. Diz, ainda, que as vias expressas também poderão receber corredores de ônibus.

PRESTES MAIA
A ideia de estruturar a circulação em avenidas de tráfego rápido remonta aos anos 1930, quando fábricas como a Ford e a General Motors se instalaram no país.
Foi nessa década que Prestes Maia (prefeito de 1938 a 1945) implantou o Plano de Avenidas, que resultou em vias como Nove de Julho, Duque de Caxias e São Luís.
Em 1971, foi posto em prática um sistema de circulação em grelha, interligando anéis viários e rodovias- parecido com a ideia atual.

Plano de Kassab prevê via rápida para carros

Pelo projeto haverá vias expressas e dois corredores paralelos à marginal Tietê

Também está previsto eliminar cruzamentos e retirar semáforos; ideia, reedição de plano dos anos 70, é criticada

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO

Vias expressas em formato de anéis ou de eixos viários que cortam São Paulo, além de dois corredores paralelos à marginal Tietê, são as apostas do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para reduzir congestionamentos e, com isso, melhorar a qualidade do ar.
O plano, sintetizado pela CET, foi entregue ao governo de SP como parte de um trabalho coordenado por órgãos estaduais e municipais para discutir mudanças na forma de monitorar a poluição atmosférica.
A ideia -uma reedição atualizada do Plano de Vias Expressas, tocado pelo então prefeito Figueiredo Ferraz nos anos 1970- é duramente criticada por especialistas.
O principal ponto do projeto, que não prevê datas nem custos, é a consolidação de cinco anéis viários, formados por vias já existentes ou em projeto, que teriam gargalos e barreiras eliminados, além de um padrão (de pavimento, sinalização e fiscalização).
O maior deles é o Rodoanel, que tem dois dos seus quatro trechos prontos e dois em fase de aprovação da licença ambiental. O menor é o anel do centro histórico.
Para tornar a via rápida, há previsão de eliminar cruzamentos (por meio de pontes, viadutos, passagens subterrâneas e outras intervenções), retirar ou reprogramar semáforos, criar faixas de tráfego e até proibir parar em parte dessas vias.
O plano também prevê dois eixos de circulação rápida. Um deles, norte-sul, iria da rodovia Fernão Dias até o trecho sul do Rodoanel, passando por avenidas como Interlagos e 23 de Maio. O outro iria da Régis Bittencourt, a oeste, até o futuro trecho leste do Rodoanel, passando pela avenida Jacu-Pêssego.

CORREDORES
Também integram o plano a consolidação de dois corredores paralelos à marginal Tietê. Um deles ao norte, que iria da Anhanguera até a Vila Maria, próximo à via Dutra. O outro, ao sul, seria uma extensão da av. Marquês de São Vicente até a av. Aricanduva.
O objetivo principal, diz a CET, é reduzir os congestionamentos dos atuais 140 km, em média, para 90 km -a lentidão no trânsito provoca uma maior emissão de poluentes na atmosfera.
Segundo a prefeitura, parte das intervenções para os anéis e eixos viários está em fase de estudo ambiental, como os túneis da avenida Sena Madureira e da avenida Jornalista Roberto Marinho.
Outras, como a criação de uma passagem subterrânea na rua Ribeiro de Lima (sob a avenida Tiradentes) e do Apoio Sul (via paralela à marginal Tietê), estão em fase de elaboração de projeto.

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10 temas para sonhar/construir uma São Paulo melhor

No aniversário de uma cidade onde a vida é tão complicada (no bom e no mau sentido) como São Paulo, talvez a melhor homenagem seja sonhar com melhorias para seus problemas crônicos, para que possamos nos orgulhar com o que há para se orgulhar daqui sem ficar colocando “poréns”.

Lembrei algumas iniciativas, de curto a mais longo prazo, que podem fazer a cidade melhorar muito.

Texto totalmente aberto a críticas, sugestões e correções nos comentários.

Conselho de representantes nas subprefeituras e conselho social

O governo Marta errou feio ao não implantar, por cálculos políticos mesquinhos, os conselhos de representantes eleitos nas subprefeituras. Em uma cidade com o tamanho de São Paulo, não tem como aproximar o poder público dos cidadãos sem descentralizar. Isso criaria maior fiscalização local das atividades dos subprefeitos, cargos historicamente (mal) usados para acomodar aliados políticos, e mal utilizados, com uma visão pequena de ser quase que apenas de zeladoria…

Além disso a prefeitura se beneficiaria de um “conselhão” da cidade, que reunisse entidades da sociedade civil para discutir suas questões, nos moldes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal. Isso obrigaria a prefeitura a pensar, planejar e dialogar com a sociedade e daria espaços para a sociedade cobrar, acompanhar e engajar-se por São Paulo.

Alternativas/restrições para os automóveis

Não é que “São Paulo vai parar”. Já parou. Para todo o dia. Você perde um tempão e qualidade de vida com isso! E a solução tem que combinar atitudes individuais com muita presença do poder público.

As pessoas precisam analisar se no seu dia-a-dia não sai mais barato e/ou mais rápido usar o transporte público, a caminhada, bicicleta, táxi ou carona solidária. Em regiões como a Paulista e a Faria Lima o estacionamento é tão caro, que chega a ser mais barato, previsível em tempo gasto e menos estressante usar outras alternativas. Ao invés disso, insistem em usar carro toda hora, sem nem calcular se é a melhor opção.

A prefeitura tem que melhorar a rede de ônibus (me impressiona como é medíocre a relação das empresas privadas e o poder público, que não percebem o potencial, até de negócio, de uma rede de qualidade de transporte público na cidade), criar circuitos de ciclovias, também dentro dos bairros (Kassab destinou só R$ 1 milhão para ciclovias, viu Soninha?). A classe média precisa parar de ser contra corredores de ônibus, atitude escrotíssima, e passar a demandar opções de transporte público. Serra, quando eleito, enterrou um plano que tinha financiamento do BNDES para fazer 300 quilômetros de corredores de ônibus nas principais vias da cidade.

Ao invés disso, São Paulo embarca em obras viárias bilionárias e ridículas, como a ampliação de faixas da marginal, estimuladas e as vezes mesmo projetadas descaradamente por empreiteiras. São bilhões e bilhões, desde de 1990, jogados fora em obras desnecessárias, superfaturadas e voltadas para enxugar gelo e alimentar caixa 2 de campanhas eleitorais.

Governo do Estado precisa conseguir acelerar o ritmo de implantação do Metrô (se bem que esse só fica cada dia mais lento). Sem a Linha Amarela completa, até o centro da cidade, o sistema está cada dia mais perto do colapso. Seria fundamental acelerar o cronograma das novas linhas, não adiá-lo, além de planejar a construção de mais garagens e integrações do metrô com a rede de ônibus/ciclovias e trens. O programa Expansão São Paulo, do Serra, que prometia muito, foi tratado como peça de ficção/propaganda assim que Alckmin assumiu.

RECICLAGEM

Em 2000 Porto Alegre, entre outras cidades, já tinha uma coleta de lixo reciclável que humilhava São Paulo. Até hoje a reciclagem na cidade está por conta do “terceiro setor”, de cooperativas, bem intecionadas, claro, mas continua sendo uma reciclagem voluntária e de pequena escala, enquanto as empresas privadas que tem contratos com a prefeitura lucram com um serviço medíocre e o poder público não cobra efetivamente a implantação de um sistema oficial e organizado de coleta de lixo reciclável.

Tanto na questão dos contratos com serviço de ônibus, quanto dos serviços de lixo, o tamanho da leniência e pouca exigência do poder público com as concessionárias traz a minha cabeça lembranças de uma palavra que começa com c e termina com ão.

CEUs/Escolas como centros da comunidade

Os CEUs, os originais, da Marta, e até as sub-cópias do Serra, mas não as sub-sub-cópias do Kassab (que mantém o nome mas não a dimensão do projeto original) criaram circuitos de diálogos culturais centro-periferia e locais de lazer em bairros pobres de São Paulo (Mano Brown diz que quando viu o CEU, era isso que ele cantava/queria na música “Fim de semana no Parque”).

As escolas, parques e demais equipamentos públicos devem ser construídos, não só na periferia, mas especialmente nela, com a dimensão de serem centros que reúnam e ajudem as comunidades a se organizarem para terem acesso ao lazer e cultura, mas também para se organizarem, discutirem e resolverem seus problemas.

Nesse ponto, é importante notar que o Alckmin vai retomar o programa Escola da Família na rede estadual, bizarramente encerrado por Serra quando assumiu o governo do Estado de São Paulo.

Retomar o centro como coração da cidade

A cidade precisa retomar os imóveis vazios devedores de IPTU (lembrança de @lucianomaximo), negociar com eles para ocupá-los por uma política de moradia social no centro (novamente, interrompida com a chegada de José Serra ao poder). E além disso, planejar uma política de múltiplos usos – cultural, empresarial, habitacional, turístico – para o centro da cidade. As principais iniciativas hoje nesse sentido são privadas, pontuais e não muito integradas, sejam os clubes noturnos que avançam no Baixo Augusta-Centro, sejam as requalificações de edifício pela iniciativa privada, motivadas pela escassez/escalada de custo de novos terrenos. A principal iniciativa da prefeitura, o projeto para a Cracolândia, é mais um uso do poder público como incorporadora/demolidora para lucros privados.

Planejamento urbano com visão ambiental/freio na voracidade imobiliária

Essa não é uma questão simples, mas São Paulo precisa colocar freio e exigir contrapartidas (públicas, não a propina usual) do voraz mercado imobiliário, principalmente em grande projetos. O Center Norte, por exemplo, era uma região de várzea do Tietê que foi toda asfaltada e elevada. Fizeram piscinão para compensar isso? E o impacto do Shopping Bourbon no trânsito? Ao mesmo tempo, São Paulo precisa de um adensamento urbano em regiões que já tem infra-estrutura instalada.

Sumaré, Pacaembu, Mandaqui, Águas Espraiadas, Tietê, Aricanduva, Pinheiros, não são nomes de ruas, bairros ou avenidas. São nomes de rios, que foram poluídos,  canalizados, retificados e muitas vezes escondidos sob concreto. Em janeiro, eles se vingam do que foi feito com eles, pegando inocentes nesse fogo cruzado. A cidade precisa rever sua ocupação de espaço e como convive com a bacia hidrográfica sobre a qual foi construída. Muitas vezes isso foi resolvido nos bairros ricos com piscinões como o Pacaembu. A solução, que envolve a Sabesp, é a revisão da nossa rede de esgotos, criação de estações de tratamento e parques lineares ao redor dos rios, e estudos e planos para contornar as cheias enquanto tivemos que conviver com elas. Muito mais do que não ter obras, me espanta como é pobre nosso plano de contingências para situações como os transbordamentos do Tietê (que com a ampliação das marginais e falta de cuidado com desassoreamento, voltaram a transbordar no governo Serra).

Conviver com o ambiente em que fomos construíndo envolve rever a ocupação de encostas e a impermiabilização do solo, o que de novo, envolve além do poder público, a população (estímulo a jardins em residências e armazenamento de água da chuva por condomínios para reuso).

Combate a pobreza – fim da birra com o governo federal

São Paulo, por uma opção política dos eleitores, no que é seu direito, assumiu essa de capital da oposição ao governo federal. Mas deveria acabar com a birra em trabalhar junto com Brasília no combate a pobreza da cidade, porque são as pessoas mais frágeis que pagam essa conta. São Paulo manda mal no cadastro do Bolsa Família (além de Serra ter acabado com o programa de complementação de renda da prefeitura) e não tem programas em escala para combater a pobreza extrema. A situação social da cidade melhorou junto com o crescimento econômico do país. Pro-uni, e geração de empregos, muitos na construção civil, mudou o cenário e a perspectiva das pessoas da periferia, que não mais “sobrevivem no inferno”, mas ao invés disso ralam muito mais que nós entre trabalho e faculdade, na luta por uma vida melhor. Mas as escolas públicas (estado e prefeitura) tem que dar condições reais de seus estudantes aprenderem tanto ou mais do que nas privadas (que não são grande coisa também).

A cidade tem que aproveitar o crescimento econômico e recursos públicos para reduzir a pobreza dentro dela.

Uso de novas tecnologias para tranparência, participação e mobilização

O governo Kassab criou o sistema que permite acompanhar nome e salários de cargos da prefeitura, e houve algumas autoridades e iniciativas aqui e e ali, como a zeladoria da Avenida Paulista, mas fez pouco além disso para usar as novas tecnologias (redes sociais, geolocalização) para que a população possa apontar problemas, ou se organizar localmente para atuar no seu bairro. O twitter da prefeitura, por exemplo é um “fala que eu não te escuto”. Imagine as possibilidades de reclamação usando o googlemaps, mobilização para discussão e ação em temas públicos, e por exemplo, orçamento participativo, usando a rede!

PS: Claro que eu não sou ingênuo de achar que os governos querem ser transparentes ou terem a população participando. Esse espaço tem que ser conquistado.

Cultura/Economia criativa/identidade

Talvez o principal termo seja que a cidade precisa se valorizar. Valorizar seus espaços únicos e históricos, sejam prédios, cinemas (como o Belas Artes), restaurantes tradicionais como O Castelões, grupos de teatro (como o Oficina ou o Vertigem) e sua fortíssima cultura urbana (hip-hop, grafite, pixo etc…).

São Paulo tem uma vocação para produção de cultura e economia criativa (publicidade, audiovisual, moda, música etc…). A prefeitura precisa estimular essa vocação e seus segmentos econômicos. Ela precisa integrar um circuito interno da cidade (como o Sesc já faz na sua rede, e os CEUs em parte) centro-periferia com circuitos de circulação estadual e nacional. Hoje São  Paulo está meio deitada em berço esplêndido cultural, se isolando de iniciativas novas que surgem pelo país (como o Circuito Fora do Eixo). No fundo, está ficando para trás. Precisa pensar em eventos como a Virada, e além, para reforçar o papel da cultura na identidade, recuperação de espaços urbanos (Praça Roosevelt), turismo etc… Usar a vitalidade cultural para recuperar bairros e regiões.

Iniciativas criativas e ambiciosas

Falta criatividade, iniciativas inovadoras e ambição de resolver os problemas. A postura da maioria da cidade, pessoas, prefeitura e muitas vezes do PT também, é pequena, mesquinha. Tirando o Cidade Limpa e a Virada Cultural do primeiro mandato do Kassab, ele não fez tantas inovações (CEU, Bilhete Único, uniforme escolar) e com tanto impacto quanto a Marta.

Um símbolo da jequeci e pensamento estreito desse governo é a falta de uma secretaria de relações internacionais. São Paulo é uma megalópole com população maior que a maioria dos países do mundo. Tem que se relacionar com outras mega-cidades, para programas de intercâmbio, parcerias culturais, obter recursos, atrair eventos.

A cidade (poder público/sociedade civil organizada/seus moradores) tem que ter uma (ou mais) visão de futuro e lutar por ela. Talvez o mais desesperador nesse aniversário de São Paulo seja isso. É que em meio a tantos problemas cotidianos, a cidade parece não ter um plano ou rumo. Ao menos um digno de reconhecimento.

O brasão diz que a cidade não é conduzida, conduz. Mas com uma mentalidade pública tacanha (não só do governo, mas de grande parte da população, como daqueles que acham que resolvem o trânsito buzinando) São Paulo sequer sabe para onde ir, e vai sendo conduzida no improviso, em meio aos ventos, chuvas, carros e caos do peso do seu próprio gigantismo…

Hora de rever esse orgulho dos seus defeitos, deixar de achar que eles são insolúveis ou comprar soluções falsas e começar a andar em direção as soluções que levarão muito tempo para se concretizarem.

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osgemeos e Plasticiens Volants no Anhangabaú

Peguei só o finzinho. Mas foi mágico.

 

 

 

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Há vida na luz

“Venha para a luz, venha para a luz”.
Eu não tenho muito que falar do grupo de teatro Ivo 60. Estão fazendo 10 anos, são amigos, são irmãos, é a minha irmã 🙂 . E todas as vezes que eu os vi, eu vi coerência, arte, criatividade, ética, riso, crítica, autocrítica e tristeza tudo misturado assim na gente. Eu vi uma linguagem sofisticada e ao mesmo tempo o esforço de uma comunicação popular. Eu vi os “populares” se emocionarem, as crianças interferirem e tudo fluir e funcionar. Vi o tempo passar rápido e também profundo.
Tem um monte de coisa que eu entendo pouco, mas que eu sou chato e invocado de discutir (cinema, política, música, história…). Teatro não é uma delas, então essa é opinião de fã mesmo. Sinceríssima.
Sombras da Luz, nova peça do grupo, trata da vida que há, mas dizem que não há, no centro de São Paulo, mais precisamente na região do Parque da Luz. Histórias de solidão, rejeição, busca da felicidade e reinvenção onde São Paulo, uma cidade pesada, é ainda mais dura nas quedas. A história daqueles que dizem francamente “Eu sou um fracassado”. Ou daqueles que ainda assim, riem, lembram, cantam…
A peça foi construída em cima de entrevistas com esse pessoal que não aparece na Caras. Bem, nem em nenhuma outra revista. As frases são desconcertantes e o grupo não fica na marolinha. As verdades são muitas. E lá está a profundidade da cultura e da música popular no que tem de mais simples e dolorida, sempre ali, mesmo no riso.
Aí depois da peça um freqüentador do parque diz que gostou muito, que eles são engraçados, se bem que em um momento ele quase chorou, mas segurou as lágrimas…
A emoção ficou assim suspensa.
Como todo aquele mundo está. A Luz rebatizada de cracolândia é uma das “bola da vez”, bolas das vezes, da mesma história paulistana de sempre. Da música Saudosa Maloca, de Adoniram Barbosa; do livro Parceiros da Exclusão da Marina Fix; da Favela Real Parque entre estabelecimentos AAA; da cidade que sempre precisa empurrar para fora a vida, no que ela tem de tudo, no que ela tem o que este sistema tanto produz e chama de “indesejado”. Indivíduos “descartáveis” (ou  mais descartáveis do que a média) tirados de qualquer jeito para abrir caminho para “revitalizações” do mundo dos negócios sem vida ou da vida “negociada”…
Enfrente isso com vida de verdade. É um programão visitar a região. Pegar um sábado ou domingo e ir na Pinacoteca, ou no Museu da Língua Portuguesa, ou nos supermercados coreanos, ou só, só mesmo para ver, às 16 horas (quando a chuva permite), a peça do Ivo 60 no Parque da Luz. O Parque é lindo, e uma boa notícia é que ele está sendo muito bem cuidado, está limpinho e com o jardim tinindo. Para os seus freqüentadores. Os imigrantes bolivianos, os nordestinos, as prostitutas de terceira idade, os velhinhos improvisando sons inacreditáveis na rua, as crianças, a liberdade, o espaço público, o encontro. O Ivo 60 e seu teatro cheio de vida.
Ouça aquela vozinha que diz: “Venha para a Luz, venha para a Luz”.

sombras da luz

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