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Porque eu me cansei da política Soninha

Fazia tempo que eu estava me segurando para escrever sobre a Soninha…Ela é um assunto complicado para mim por uma contradição fundamental. Conheço-a faz muito tempo, e gosto muito dela, a acho uma pessoa incrível. Muito melhor do que eu sou, engajada, por isso é difícil criticá-la…Mas a acho politicamente equivocada. E acontece dela faz algum tempo ser política…e cada vez mais ser só política e cada vez mais equivocada…

Dessa contradição nasce este texto, e por isso ele ser tão extenso e ter esta estrutura: primeiro falo da minha admiração pessoal por ela, para a partir daí transmitir minha irritação e frustração com a sua trajetória política. Espero que o formato dê conta. Tratar, uma parte de cada vez, dois aspectos que não tenho como separar ao escrever sobre ela.

Então, vamos lá, os antecendentes antes dos finalmentes.

Pessoal

Conheci a Soninha 13 anos atrás, quando ela e minha irmã trabalhavam na MTV. Nesses anos todos ela passou a ser uma amiga e pessoa querida não só dela, como da família, uma pessoa muito legal. Em 2002, quando meu pai morreu, Soninha, que ainda não tinha nada a ver com política, fez companhia para a minha mãe por longas horas na madrugada do velório, quando todos nós estávamos derrubados. É o tipo de coisa generosa, em uma noite no meio da semana, sem nada em troca que não se pode esquecer nunca.

Quando a Época fez aquela cafajestada com ela, colocando uma pessoa responsável como “maconheira” em sua capa, minha mãe se indignou. Porque ela sabia que a “maconheira” era uma pessoa amável, que trabalhava muito e era muito generosa. Ali minha mãe viu que havia pessoas que consumiam eventualmente maconha, mas que eram sérias e que aquilo não afetava a vida dela. Acho que minha mãe deve ter sido a única pessoa que entendeu justamente o que a Soninha queria dizer quando se expôs daquele jeito, superando o preconceito contra usuários de maconha.

A Soninha sempre foi uma pessoa cheia de energia que diante de um desafio, se lança nele muito mais do que recua. Eu sou um que prefere quase sempre dar um passo atrás. Eu ainda acredito na sua sinceridade e honestidade na política. E realmente acredito que ela está tentando fazer o que acha certo. O que torna tudo mais complicado, mas também mais interessante.

Política parte 1 – Historinha…

Não sei se isso me dá mais ou menos autoridade para falar desse assunto…Mas em 2003, quando soube que Soninha seria candidata à vereadora de São Paulo pelo PT, eu lhe escrevi um longo e-mail aconselhando ela a NÃO se candidatar. Trabalhava na Câmara na época, e o que eu disse é que o PT era complicado, que o ambiente da câmara era podre, que o PT tinha problemas etc…Por conta disso eu me afastei do meu pequeno papel na política. Ela caiu dentro.

Em 2004 fez campanha com estrelinha vermelha e “Marta Prefeita” e foi muito bem votada. Mas a Marta em si não se elegeu. E Soninha foi ser oposição à prefeitura dentro de uma muy complicada bancada do PT municipal. E aí reside a primeira ironia…para a cúpula do partido e certamente para a própria Marta, um dos aspectos interessantes da candidatura Soninha era minar votos do “PT Vila Madalena” que era uma parte relevante da “bancadinha”, a ala mais independente da bancada do PT (estou falando de Nabil Bonduki, Tita Dias e Carlos Neder, e mais alguns outros). Nesse desenho, Soninha, “jovem e ingênua”, roubaria votos deles, ampliando a bancada do PT mais submissa ao executivo no segundo mandato de Marta. Tita, Nabil e Neder não se elegeram, mas não teve segundo mandato de Marta e a Câmara, e a própria Soninha, sofreram, principalmente sem Nabil e Neder, dois políticos muito qualificados, no legislativo…

Nos quatro anos de Soninha na Câmara estava afastado da política…Nunca pisei no gabinete dela, e fiquei nos meus trabalhinhos…Acompanhava as notícias, como ela se relacionava com ONGs, tinha iniciativas legais, comunicava as bizarrices da Câmara e comprava brigas homéricas contra os maus hábitos da casa. Um bom mandato.

Política parte 2 – o caldo começa a entornar

As coisas começam a ficar estranhas quando pouco depois de um ano de mandato ela tenta sair candidata a deputada federal. Rola uma ansiedade, uma falta de compromisso, uma ambição estranha…Acho que muita gente sente o mesmo…porque ela não se elege…é tipo um “fica aí Soninha, você é importante na cidade…”

Aí vem 2005 e a crise do mensalão…E as falhas do PT e das suas relações com os partidos aliados ficam expostas…

Antes disso já rolava uma relação próxima da Soninha com o executivo. Ela “convence” Serra a construir novos Centros de Educação Unificados (os CEUs). E ajuda na indicação de Carlos Augusto Calil (pessoa fantástica), que foi nomeado para o Centro Cultural Vergueiro na época da Marta, para secretário de Cultura do Município. Tudo bem…Mas sinceramente…O buraco é mais embaixo. O primeiro governo municipal “mezzo Serra/mezzo Kassab” foi muito esperto em não bater de frente com o que Marta havia construído na prefeitura…Muita gente de confiança seguiu nos seus cargos, muitos programas continuaram…E muito hipócrita também, para quem lembra como eles bateram nos CEUs, transformarem os CEUs “de segunda” que fizeram em bandeira política. E finalmente foram muito hábeis em fazer um governo “sub-Marta”, mantendo marcas dela, sinceramente melhorando algumas áreas, mas não avançando em mudanças estruturais como corredores, investimentos na periferia e habitação popular (inclsuive no Centro) e Renda Cidadã, e regredindo no transporte público e nas relações internacionais da cidade. E tirando o Cidade Limpa, inovando necas….Mataram o Orçamento Participativo, o Renda Cidadã, não avançaram no Conselho de Representantes e Coleta Seletiva…Isso tudo enquanto tinha um orçamento muito maior do que a Marta e uma máquina pública muito melhor do que a que ela herdou após Pitta/Maluf. Foi a estratégia deles. Não foi Soninha que os convenceu disso. Soninha se encaixou nessa estratégia.

A soma de um, sei lá, “fascínio”com o poder do Executivo com a pressão sobre o PT em 2005 (que visava derrotar Lula em 2006), com os problemas do PT municipal, mais o convite a ser candidata a prefeita pelo PPS (e aí a coragem de se lançar em desafios que admiro nela fica difícil de separar da precipitação e equívoco que vejo nos seus erros políticos), tudo isso soma para que ela saia do PT. E seja candidata a prefeita pelo PPS. Hoje eu acho que o José Serra estava por trás dessa oferta de legenda que o PPS fez para ela. Não tenho nenhum dado ou informação, mas é algo que acho, até porque esta operação PV/Marina é parecida demais, e coincidência demais…enfim…tende a não ser coincidência. Mas Soninha poderia estar na busca da trajetória dela, como acho que está a Marina. Tipo “desejo que seja feliz nesse novo caminho”, sabe?

Está certo que o PPS merece um parágrafo (merece é um texto inteiro…). É na minha opinião o partido mais equivocado do cenário político nacional…Por que quão maluco é um partido que acha que critica o governo do PT pela esquerda, ou seja, que as “reformas”, o DEM e principalmente o PSDB são um projeto mais “digno” do ex-PCB, de sua herança comunista, do que apoiar o governo Lula? A inveja que o Roberto Freire deve sentir do PT e de Lula, ele que lá atrás achou que não ia dar certo, ele que aderiu de forma tão entusiasmada ao Fernando Henrique Cardoso e ao projeto neoliberal…Coisa de maluco mesmo…E acabou assim, como a mais absoluta legenda auxiliar do PSDB (sei lá porque não se fundem logo…), e com seu líder irrelevante com um discurso de ocasião e sem fundamento…

Enfim…Soninha passou a se posicionar errado no fundamental plano nacional do embate entre o governo Lula e o PT (e seus aliados, muitos deles nojentos, como o Sarney, e de ocasião) X PSDB+DEM+PPS (prontos a receberem a turma de ocasião e com seus nojentos, como Quércia).  Ela não saiu do PT para criticá-lo pela esquerda, entende…E aliás, acho talvez que ela nem acredita neste tipo de divisão/embate. Sabe luta de classes, sindicatos X empresas, entreguistas x interesse nacional…é nessas que a “nova” política assume o papel de inocente útil…Porque a direita o odeia, mas nunca deixa de usar para consumo interno quando lhe interessa as brilhantes análises daquele velho barbudo que gostava da cor vermelha…E não, não é do Papai Noel que estou falando…

Mas voltando…No primeiro turno de 2008, Soninha fez uma campanha discutindo temas importantes para a cidade, do jeito dela. Segui defendendo-a como pessoa de amigos que a criticavam, apesar de não apoiá-la mais politicamente…E tudo bem em 2008 ela não defender a candidata dela em 2004, se ela estava defendendo diretamente uma visão dela que devia achar melhor que a da Marta em 2004.

Política parte 3 – “Aqui nos separamos…”

O problema começa mesmo em algo estranho no discurso e postura nos debates, como se Marta fosse pior que Kassab, e evolui feio no segundo turno. Soninha diz que vai sumir, que não vai apoiar ninguém. Mas nitidamente este “ninguém” é mais um contra Marta e só um silêncio em relação a Kassab. Na prática e nas declarações, Soninha está apoiando o Kassab. E isso é bizarro, porque e naquela eleição quem prestasse atenção notaria isso, Kassab defendia um governo “sub-Marta”, isso mesmo arrecadando muito, mas muito mais dinheiro que ela (e a ironia cruel de Marta ser chamada de “Martaxa”, mesmo com a arrecadação da prefeitura tendo subido muito mais que a economia da cidade, ou seja, com Kassab aumentando a carga tributária, não deve ter escapado aos canalhas). Vou escrever algo aqui que já escrevi nesse blog: Marta é rejeitada acima de tudo pelos seus próprios erros e alguns membros do lado escuro da força que a rodeiam, ou rodeavam. Mas para mim não fazia sentido político algum Soninha, tendo apoiado Marta em 2004, apoiar Kassab em 2008. Se ainda tivesse de fato ficado neutra, escapava de fazer besteira e se mantinha coerente…Não dava um tapa na cara naqueles que votaram nela quando o que aparecia na maquininha ao lado da foto dela era o 13…

E aí vem o pior…o fim da picada…Soninha aceita um cargo, ou como dizem muitos “CARGUINHO”, de Subprefeita da Lapa na gestão Kassab. Ou seja, passa a referendar, apoiar e se subordinar a esta gestão do ex-PFL, de um ex-malufista.

Pausa: não existe obrigatoriamente algo de vergonhoso em exercer uma função pública na gestão Kassab. O já citado Calil, por exemplo, acho que ele faz o que sempre fez, está no “partido da cultura” como ele diz. É possível executar funções públicas, de estado, dentro de certas condições, mesmo em uma administração com a qual não se identifique, de um partido que defende um ideário diferente do seu. Isso não vale para mim, mas admito que para outros sim…Também não há nada de desonroso e menor no cargo em si, em ser Subprefeito da Lapa. Aliás, moro na jurisdição dessa Subprefeitura, deve ser um trabalho duro, e Soninha deve tentar exercê-lo da melhor forma possível e eu tenho todo o interesse nisso. Para a região onde vivo, antes ela lá que alguém pior.

Mas veja bem…foi um tapa na cara de quem sempre a defendeu que a Soninha tenha aceitado este cargo. Porque foi uma contradição com o discurso dela, com a postura dela, e com o que ela defendia para a cidade. E aí está uma coisa interessante…os políticos de hoje parecem não entender a relação entre cargo e militância política…Se a Marta tivesse ficado e lutado pelo seu legado, contra as difamações e apropriações hipócritas das políticas públicas do seu governo, teria feito um bem para a cidade e para sua carreira política muito maior do que ocupando cargo por ter “máquina” em Brasília (quem acha que adianta algo em campanha em São Paulo ter sido ministra do Turismo…). Soninha perdeu a coerência quando ao invés de lutar por “outra forma de fazer política” se submeteu a um carguinho. Passou a baixar a cabeça para o segundo mandato do Kassab, quando ele começa a revelar sua alma malufista, e pior, defender absurdos totalmente contraditórios com suas ideais como a “Nova” Marginal, ou comandar Guardinha Municipal para cima do pobre do ambulante que vende CD Pirata…

E cada vez mais Soninha deixa claro que é a cara, o orgulho, a voz e discurso de um PPS parte do “Bloco Democrático Reformista” da Oposição para disputar as eleições de 2010. Ou seja, que esta do lado do DEM e do PSDB, com Serra, para retomar as “Reformas” (privatizações, perda de direitos trabalhistas e dos aposentados) é melhor do que estar com a continuidade do governo Lula. Isso mesmo após o “massacre” que o molusco aplicou em FHC, e com a tremenda melhora da qualidade de vida das classes mais baixas, das perspectivas do país, de sua inserção no cenário internacional, e da sua atuação na proteção de governos de esquerda em países da região (Bolívia, Venezuela, Paraguai e agora Honduras).

Soninha também está começando a verbalizar coisas que a aproximam de uma tendência que está surgindo por aí (prestem atenção) que acho bizarra…pessoas que usam o discurso ambiental contra o desenvolvimento de país para disfarçar um incômodo com a ascensão das classes C e D ao mundo do consumo…Gente que usa o ambientalismo para disfarçar preconceitos sociais e disputa de classes…É bem sutil (o movimento contra carros, por exemplo, não cai nessa roubada)…Mas preste atenção que tu vai ver…Não é fácil separar de ambientalistas legais…e muitos dos dois grupos estão embarcando na candidatura da Marina Silva…mas repare bem…

Então, se a Soninha se irrita quando o Paulo Henrique Amorim a chama de traíra, ou quando ela diz no Twitter que as pessoas a acham “no mínimo, desprezível” por ter saído do PT…Bem o Paulo Henrique Amorim não é exemplo de nada, é um Reinaldo Azevedo menos parnasiano e de sinal trocado…pelo sinal trocado acerta de vez em quando (até o Azedo vez por outra se distrai e solta uma verdade), mas é grosso, deselegante e enfim…Agora quem votou nela ou apoiou ou a defendeu quando ainda era “13”, se estes acham que ela os traiu estão no seu direito. Assim como de achar que esta fazendo besteira e o pior para o país quando passa a apoiar o Serra contra a Dilma ano que vem….É o preço de ter mudado de ideia e/ou lado.

Repare, ninguém chama a Heloísa Helena, o Ivan Valente, ou outros do PSOL de traíras por terem saído (ou sido expulsos) do PT… Eles se mantiveram a esquerda. Mesmo a Marina Silva ainda não está claro o que vai sair disso.

Eu não acho a Soninha “no mínimo, desprezível”. Acho-a uma pessoa incrível, mesmo que profundamente equivocada do embate político que se dá no país, na posição errada. Podia estar na oposição, mas não do lado de quem está…mas enfim…direito dela. É a vida e a democracia.

Da minha parte, que bom que desabafei….e chega de segui-la no Twitter…Onde tive que resistir a tentação de responder algo que (ufa, podem ver) levou muito mais que 140 caracteres para explicar…

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O livro de Ruth, o partido único e o apagão da imprensa em São Paulo

Hoje, no Conjunto Nacional quase esbarrei com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o seu ex-ministro e atual secretário da educação do governo estaual Paulo Renato de Souza. Eles fugiam do CQC, que devia estar fazendo alguma brincadeira com a notícia de que FHC será o protagonista de um documentário sobre a liberação do THC. Você vê, o José Serra com uma lei antifumo e o FHC querendo liberar a esquadrilha da fumaça…

Mas piadas a parte, eles estavam lá (e também o Geraldo Alckmin e o Henry Sobel, entre outros, provavelmente o Serra também deve ter dado uma passada) para o lançamento do “Livro de Ruth” da ex-aluna e colaboradora de Ruth Cardoso Margarida Cintra Gordinho. O livro é uma homenagem oficial (ela teve acesso aos arquivos de FHC ) e mais sentimental do que acadêmica, ou mesmo uma biografia da falecida primeira dama.

O que me incomoda no livro? Ele foi lançado pela Imprensa Oficial, editora do governo do Estado de  São Paulo. Não tenho nada contra um livro sobre a Dona Ruth. Mas sou só eu que acha esquisito os contribuintes financiarem uma elegia dela? Sim, sou só eu. Você não vai ler em nenhum lugar gente achando que isso é aparelhamento do estado . Mas não dava para ao menos disfarçar e arranjar alguma editora privada de um amigo, talvez algum selo da editora Record, que publicou A arte da política, de Fernando Henrique Cardoso? Alguma editora ligada à Abril talvez? Podia até quem sabe ser por dinheiro público, arranjar uma Roaunet de alguma estatal… Não dava para ter um pouco de decoro com a Dona Ruth?

Não é curioso que os tucanos que prezam tanto as privatizações tenham que recorrer à uma editora estatal para fazer um livro desses?Algo como nesse caso Quem como a nota do Instituto FHC bem explica, soa chato, mas é um ato perfeito diante da lei, não tem como contestar…

Em São Paulo, e esta aí o Datafolha que não me deixa mentir, o PSDB é um partido único. Não vivemos sob sua ditadura, não vou dizer tanto, mas não tem alternância alguma de poder. Não existe debate público ou fiscalização da Assembléia Legislativa, que há anos não tem CPI para investigar o governo. E existe muita pouca informação e NENHUMA pressão da imprensa sobre o governo estadual. Oposição política? Quase nada. O PT teve seus nomes de maior visibilidade invibilizados por motivos corretísismos, e está entretido em governar algumas prefeituras e principalmente no plano federal. Entre um e outro, rifa fazer oposição de fato e considera o governo do Estado “naturalmente” do PSDB (tanto que é capaz de imaginar a corrida ao Estado como “solução” para se livrar do Ciro Gomes no plano federal). E assim acaba sendo (prepare-se para mais quatro de Serra ou 8 de Alckmin). Na realidade o PT obedece a um dos mais fortes acordos não escritos da política nacional: tudo bem o PT no governo federal, mas com o contrapeso do PSDB no Estado de São Paulo.

Faz 15 anos que o PSDB governa São Paulo. Primeiro com Covas, depois com Alckmin, agora com Serra. Algumas brevíssimas questões, apenas para começar:

– Para que serve a Assembléia Legislativa do estado? Quem são seus políticos e o que ela produz? Porque a imprensa (nomilamente: Folha, Estado e Globo) cobrem mais a Câmara de Vereadaores de São Paulo do que a Assembléia?

– Quando os tucanos chegaram tiveram que federalizar o Banespa, que teria sido quebrado pelo Quércia e o Fleury. Por que após 14 anos de administração sem escândalos, e com a competência e o planejamento de que eles dizem ter, tiveram que vender a Nossa Caixa para o Banco do Brasil, administrado pelo PT que””aparelha estatais” e “politiza gestão”. Em outras palavras, porque a Nossa Caixa “técnica e honesta” deu errado e teve que ser vendida para o BB “aparelhado e politizado”? O PSDB não sabe gerir nem banco?

– Ainda na mesma questão, que é importante…Porque a imprensa não chiou ao ver o Estado de São Paulo ficar sem nenhum banco público, ainda mais que este banco foi vendido para outra estatal (ou seja, não foi privatizado), e ainda mais uma “aparelhada”?

– Quando as estradas estaduais foram privatizadas, elas precisavam ser recuperadas, o que foi usado de justificativa para os altos pedágios. Mais de dez anos depois, as estradas estaduais só requerem manutenção e obras de expansão que também aumentam o fluxo de veículos.  Além disso, os custos de capital no país (juros) caíram muito. Mas os pedágios continuam altos e as concessões foram estendidas. Você acredita que não existe nenhum tipo de relação entre empresas que exploram serviços de monopólio e o partido único que comanda e concede estas concessões? Você acha que a imprensa paulista investigaria isso? O que você acha do “golpe” do pedágio que vai acontecer  na Castelo Branco, onde o pedágio vai cair, mas todos terão que pagar pedágio entre São Paulo e Barueri, não apenas aqueles que optarem pelas pistas expressas?

– Porque depois de 14 anos de gestão “responsável, eficiente e com planejamento”, os salários dos professores, policias e médicos do estado continuam tão baixos, menores do que de muitos profissionais de estados bem mais pobre sdo nordeste que executam as mesmas funções? Porque  educação básica no estado, depois de Rose Neubauer (a “progressão continuada”), Gabriel Chalita (o “gênio”), Maria Helena Guimarães de Castro (a apaixonada por provões e provinhas) e agora Paulo Renato de Souza (aquele que submete seus artigos em jornal a aprovação do Bradesco) é um fracasso, com os alunos indo mal nos testes nacionais? Vale a pena ler neste sentido a entrevista com o diretor da escola estadual que foi melhor no SAEB, publicada em maio pela Folha de S. Paulo e disponível neste link. Sobra para todo o lado.

– Você acredita que a relação entre Governo do Estado e Assembléia Legislativa, vamos dizer, com um Campos Machado do PTB, se dá em bases programáticas e políticas? E que isto é fiscalizado pela imprensa. E que se houver corrupção a imprensa do estado não descansará e irá investigar até as últimas consequências?

Enfim…meu problema não é a imprensa pegar no pé do PT. Justa e as vezes mesmo sendo injusta é melhor do que deixar a sociedade em um apagão midiático. E São Paulo é isso. Um estado sem debate político, governado por um partido único, que não deve explicações e faz o que quer…

E que ainda se acha melhor que o resto do país…

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Marina Silva e os corredores quenianos

Você pode estar empolgadíssimo com a candidatura Marina Silva. Desculpe estragar sua ingenuidade, mas…

– Qual a melhor maneira do Gabeira e do Penna usarem o PV para ajudar a candidatura José Serra? Dando 30 segundos de TV e uma estrutura mínima, ou rachando a esquerda, constrangendo o PT e a Dilma, e colocando na disputa uma mulher (Marina Silva) para confrontar outra mulher (Dilma) deixando o ambiente em debates e na mídia melhor para o Serra?

– Essa estratégia não lembra muito a mesma usado por Serra/Kassab usando o PPS para lançar a Soninha contra a Marta Suplicy (mulher X mulher)? O mesmo convite para alguém do PT ser candidato por um partido “auxiliar”, a mesma liberdade para fazer uma campanha “diferente”, com “novos temas” e a mesma intenção de rachar a esquerda. Soninha hoje é subpfrefeita da Lapa, subordinada do secretário Andrea Matarazzo, que por sua vez é subordinado do Kassab, que por sua vez é o principal aliado do…Serra.

– Quem quiser ser ingênuo pode acreditar que o Penna, presidente do PV e vereador da base do Gilberto Kassab (DEM), e que Fernando Gabeira, que quer ter o apoio e apoiar, simultaneamente, José Serra e Marina da Silva não fizeram isso no mínimo (e coloca mínimo nisso) com a autorização do José Serra.

– Marina Silva quebra a esquerda e consegue votos no Rio e no norte do país. Sua imagem certamente pega votos no nordeste e dificulta o uso da história de vida do Lula no apoio à Dilma. Melhor para Serra. Isso tudo acontece e ao mesmo tempo que ela JAMAIS terá chance de ser eleita. Prestem atenção: JAMAIS. E abre uma vereda de críticas a Dilma (corrupta, antiquada, inimiga do meio ambiente). Ou você acha que o principal alvo de Marina na campanha seria o Serra ao invés do governo que existe?

– Por que jamais? ONG não é setor social (trabalhadores, setores do capital ou máquina do estado), não é capaz de definir eleição. Marina não é Obama (ela mesmo sabe disso). Obama se propôs a fazer uma campanha abrangendo TODOS os principais temas para os americanos. Não fez uma campanha em cima de um tema (no caso da Marina, meio ambiente). Por mais importante que seja o tema, não é suficiente, não tem essa maturidade nem aqui, nem em lugar nenhum (deve ter no futuro, mas não hoje e aqui). Nem preciso dizer que o PV também não é o Partido Democrata, nem Lula é Bush Jr.

– Depois da eleição, o PV volta a ser o patético PV e Marina estará com o mesmo papel. Isolada e fora do menos pior dos grandes partidos do país (o PT), que no Acre reúne todo o seu grupo político. A mesma situação que esfarelou Heloisa Helena e transformou Soninha em suco. Ambas até então eram boas alternativas de renovação na política (e Heloísa Helena foi expulsa do PT). Mesmo a Marina sendo muito mais densa, menos personalista e mais embasada, e mais legal que as outras duas.

– Eu adoraria que ela escapasse dessa arapuca e desse um entorta nesse pessoal e negociasse dentro do PT um novo status e um novo papel para a questão do meio ambiente e desenvolvimento sustentável dentro do partido e da candidatura Dilma (mesmo sabendo que isso é difícil também). Que usasse este convite para ser mais malandra que os malandros que a convidaram.

– Marina Silva candidata é a melhor notícia dos últimos tempos. Para a esquerda? Para uma alternativa real de governo em 2010? Para a criação de um partido com projeto nacional viável a esquerda do PT? Não. Para o José Serra e seus aliados. Ah, e aliados do Serra inclui, por exemplo, a senadora Katia Abreu e a CNA, “grandes” amigos do meio ambiente.

– Os corredores quenianos trabalham em equipe nas provas de longa distância. Eles mandam um corredor disparar na frente no começo da prova, o chamado “coelho”, para enganar os competidores, forçando-os a gastar mais forças no começo da corrida. Na hora agá o “coelho”, que entra para perder, desacelera e o verdadeiro membro da equipe que está lá para ganhar aperta o ritmo, ultrapassando os que foram enganados pelo “coelho”. Marina Silva está sendo convidada a ser a coelhinha das eleições 2010. Pena. Quer dizer, Penna.

PS: No exemplo abaixo, para mostrar como funciona o coelho, Marina é representada pelo corredor número 36. E o momento em que ela sai da prova é na passagem do primeiro para o segundo turno.

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Fumantes, nóias, fretados, marginais e o indesejado de nós

Quando se falava em política “higienista” em vigor em São Paulo pelo trio Serra/Kassab/Andrea Matarazzo, achava-se que era exagero.

Quero deixar bem claro que sou a favor em linhas gerais da lei contra o fumo em lugares fechados. Quem trabalha na noite sofre muito com isso, e certamente quem fuma, fumará menos, e menos irão começar, já que a noite é porta de entrada para o cigarro. Mas incomoda-me imensamente o que parece uma sequência de medidas que visam esvaziar o espaço público e o tipo de visão de mundo por trás dela, que vai se implantando em São Paulo.

A cidade parece governada pelo estereótipo da “Dona Maria”. Que não faz nada e não deixa ninguém fazer. A visão de espaço público é de um espaço morto, de passagem, para carros, bem restrito. Um moralismo asséptico e regido por aparências. O paraíso deve ser Alphaville para essa gente…

A lei antifumo força as casas noturnas a ter espaços abertos, o que dificulta evitar que o som vaze e acabe criando problemas junto com o Psiu (que era o terror das casas noturnas, por isso elas são tão fechadas). O mesmo ocorre com os bares, onde os fumantes vão para a rua. Deve crescer as reclamações de moradores contra barulho e sujeira e seu esforço para fechá-los. Poucas casas vão conseguir se adpatar a todas as leis. E estas devem ficar mais caras.

Ao mesmo tempo, a prefeitura para “recuperar” o centro (na realidade para promover um grande negócio imobiliário onde certamente alguns vão ganhar muito dinheiro) expulsou os viciados de crack da reegião conhecida como cracolândia.  Claro que viciados em crack são um problema complexo. E algo que ninguém quer na sua rua, e certamente muitos  agentes públicos fazem o que pode em relação ao complexo problema. Mas como as pessoas não “somem”, e o poder público não pode fingir não saber que a cracolândia era uma “acomodação” da cidade a um problema real (por pior que fosse). Porque senão ao lidar com o problema, acaba gerando outro pior. A questão é que não há resolução possível que não passe por atender os viciados da forma que for possível (com tratamento de saúde, assistência social e repressão ao tráfico na região), mesmo sabendo que é difícil. Porque como o problema real não sumiu, ele migrou (e se espalhou). Literalmente.

Reportagem da Folha de S. Paulo mostra que os viciados agora vagam em grandes grupos pelas ruas da região centro-oeste da cidade, pelo eixo do minhocão (que antes era um dos programas mais malucos da cidade…andar nele a noite).

Quando o filósofo Slavoj Zizek diz que São Paulo é uma Blade Runner da vida real, as pessoas depois estranham…a cidade agora tem “hordas” de nóias que vagam entre o centro e a Barra Funda.

Claro, que este tipo de política restritiva só dói para parte da classe média, quando pega no pé dela. Como no caso dos fretados, também “banidos” dentro de um conjunto de ações para abrir mais espaço para os carro da mentalmente retardada Secretaria de Transportes do Kassab (não vejo outra palavra para eles, que já tentaram até suspender o rodízio). Mais um brinde a estupidez. Se parte dos fretados era irregular, fiscalize. Mas ao invés disso criaram uma regulação maluca para outra “acomodação” da cidade. Mentiram nos dados do trânsito para tentar defender a medida e certamente jogaram mais carros nas ruas, além de criar problemas pontuais (de trânsito e também segurança) em torno dos bolsões que antes não existiam.

Por que estou juntando fretados, cracolândia e fumantes todos no mesmo post? Porque todos seguem a mesma lógica, entre “reguladora” e “autoritária” (a escala de propaganda da nova lei antifumo é assustadora) de Serra/Kassab/Matarazzo. Moralista a medula de eliminar do caminho aquilo que lhe desagrada. O que há de imrpefeito em nós. Claro, regular aspectos são importantes, mas a minha impressão é que se caminha, em uma cidade excessivamente privada e com pouco espaço público, para reduzi-lo ainda mais. E parte da liberdade com ele (em uma cidade já com tão pouca liberdade).

Preocupa-me qualquer projeto que lida desse jeito com o indesejado que é parte de nós (como seres humanos e sociedade).

O próximo passo é inventar algo contra os fumantes na calçada, arranjar mais cárceres  para os nóias que vagam nas ruas (e não políticas sociais e de saúde) e seguir nessa insanidade paulistana de mais carro, mais carro, que já não andam…

E as marginais? Bem, esta mesma gente está eliminando, em uma velocidade espantosa e por um custo altíssimo, uma pequena faixa de árvores que existia na Marginal Tietê para criar mais faixas (seriam 3 de cada lado) que vai ajudar a “melhorar” o trânsito de São Paulo. O custo? R$ 1,3 bilhão de dólares para alguns quilometrôs de asfalto em linha reta (não tem necessidade de sapropriação), matar poucas árvores, enfeiar a cidade e seguir levando as margens do rio Tietê na direção errada…

Os especialistas da área apontam que este dinheiro (que é do Estados) seria muito melhor gasto em corredores de ônibus (quem faz estes é a Prefeitura, mas nada impediria uma parceria).

Para  onde São Paulo caminha na mão dessa gente?

PS: Nada contra regulação. A Lei Cidade Limpa é sensacional (mas se a Marta tivesse proposto algo assim seria acusada de tentar transformar São Paulo em uma “Havana”).  Começa a me incomodar o conjunto da obra e o que está por trás disso.

PS2: Eu quero uma cidade com mais transporte público, pedestres e bicicletas, mesmo sabendo que o carro é importante, mas que tenha opções. Uma cidade que permita a diversão e que as pessoas possam enfiar o pé na jaca em algum lugar que assim quiserem…E que tenha um parque e trem na beira de um rio limpo, ao invés de um tapete de asfalto ao lado de um esgoto! (e se você acha que o Tietê não pode piorar, conheça o Tamanduateí)

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