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Os Trapalhões e o politicamente correto

É fato que seria difícil os Trapalhões existirem hoje. Nem emissora, nem classificação indicativa, nem grupos que fiscalizam a qualidade da TV deixariam o programa em paz.

Ainda mais que apesar de ter começado mais voltado para adultos, foram as crianças que logo viraram seu principal público. O programa passava 19 horas de domingo, e era tudo, menos “educativo”. De fato, é bizarro pensar em um programa desses para crianças. Ao mesmo tempo, muitas vezes, os Trapalhões eram geniais!

O curioso é ver esquetes como esses dois abaixo…que se por um lado promovem “preconceitos” ao mesmo tempo os criticam…

As vezes acho que a assepsia do politicamente correto por um lado protege os preconceitos que se tornam “subterrâneos”, não ditos…mas ainda lá. Para mim a questão do enfrentamento de preconceitos tem sua luta no campo simbólico, mas muito mais no campo prático material (igualdade de condições entre homens e mulheres, regionais e entre negros e brancos, por exemplo).

 

Os Trapalhões e as mulheres

 

 

 

Os Trapalhões e os nordestinos

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Globo X Vida ou porque eu não assisto BBB ou novela

Já notou como a Globo não fala de cinema, a não ser os lançamentos da Globofilmes? Ou de livros? Como praticamente não tem agenda cultural, exceto peças das pratas da casa no Video Show? Que os jogos de futebol a noite começam “depois da novela X” e não em um horário determinado?

Não é coincidência ou teoria da conspiração. Existe uma coisa na emissora chamada “rec” (de recomendação), que determina que a Globo não noticia sobre livros e cinema, assim como só noticia depois de acontecidos jogos de campeonatos, como o espanhol e o italiano, que ela não transmite. Uma das justificativas é para não fazer “propaganda gratuita”. A outra questão é que a emissora os considera concorrência.

Para uma empresa com as ambições, histórico e a escala monopolista da Globo é ingênuo achar que seus concorrentes são apenas a Record, Band, SBT ou os canais a cabo (onde ela tem participação na assinatura e nos canais da Globosat). As novelas e os BBBs tem que ser consumidos como hábitos e “fenômenos culturais” amplos. Tem que ocupar um espaço midiático e de tempo do público enorme. Assim, concorrem com tudo. Concorrem com a vida.

Tem que tomar seu tempo, toda a noite, a cada noite. Suas conversas com os amigos e as famílias. O espaço das notícias nos jornais e portais, inclusive de outras empresas. Suas preocupações e um pouco da sua ansiedade.

A minha questão com eles então é simples: não merecem meu tempo. Bem, posso ceder um pouco para critícá-los…

São má dramaturgia, no caso de 90% das novelas, e mau karma (no caso do BBB) que ocupa tempo demais para pouco retorno. Respeito as pessoas que trabalham, seus talentos e seus empregos, deve ser divertido e trabalhoso fazer. Mas tenho coisa melhor com meu tempo que assistir.

Não é questão de se achar melhor, ou que não posso perder tempo. Eu acho que eles não merecem também seu tempo, embora possa fazer com ele o que quiser (claro). Tempo também existe para ser “perdido”, para ser livre, mas prender-se ao hábito de BBB e/ou novela não é tempo livre.

São entre 1 até 3 horas por dia, seis dias por semana, sempre. Cada novela tem mais de 120 capítulos/horas. São pelo menos 10 livros. 60 filmes. Você poderia aprender a cada novela a tocar um instrumento musical. Umas 3 novelas, um idioma novo. Ou sair com os amigos. Ou fazer exercício. Ver um show ou teatro. Ou conhecer os vizinhos, povoar as ruas do seu bairro e fazer renascer um espírito de comunidade. Escrever um blog. Ou mesmo encher a cara e falar besteira com os amigos (beba com moderação).

Ou um pouco de cada.

O hábito, ou vício, da programação “tudo a ver” é uma preguiça cotidiana perante a vida. É inércia depois de um dia de trabalho, que gera mas inércia. É um hábito privado e fechado. Não a TV em si. Mas como se consome TV nesse conceito de grade da Globo (ainda bem, cada vez mais em decadência) que enfim, é insustentável e fruto de outro tempo, não tem como se manter concorrendo com o mundo.

Nas redes sociais as pessoas adoram falar de TV. Isso é natural. As redes sociais, principalmente o twitter, servem como um espaço onde as pessoas voltam a compartilhar um senso de pertencimento ao assistirem a mesma coisa, de algo comum, que havia sido perdida com a multplicação de canais e a vida urbana cada vez mais solitária. (A Fast Company do mês passado publicou um artigo sobre a integração Twitter+TV)

Mas eu prefiro esse pertencimento para as coisas utéis e inúteis mais espontâneas ou mais importantes (como as eleições, cuja presença irritou tanta gente nas redes) do que para uma máquina repetitiva de dragar e vender nosso tempo e atenção (que é o verdadeiro produto que a TV repassa aos seus anunciantes), e produzir esquecimento.

Os BBBs, particularmente, são sádicos por natureza, com a exploração das nossas tentações de julgar as pessoas e pretensas polêmicas de costumes em uma arena que é, quase por natureza, 90% dos preconceitos (não nego que possa ter exceções, mas a natureza do jogo e dos julgamentos é por si, cruel e moralista).

Um grande professor que tive, Arlindo Machado, gosta de dizer que não podemos esquecer o conteúdo do que passa na TV ao criticá-la. BBBs e novelas em geral são tão ruins que nem quero entrar nesse mérito. Para mim vem antes a questão da forma e a presença desses hábitos na nossa vida.

Colocando de outra maneira: já imaginou que chato seria um reality show onde todos os participantes apenas ficassem assistindo TV? Sem graça, né? Opa, não é a sua vida?

PS: Esses dias, meio por acaso, dei de cara com o filme “Wonderwall”, de 1968. O filme conta a história de um cientista solitário que faz frestas na parede e fica fascinado com a vida e a mulher de seu vizinho, um fotógrafo de publicidade (não por acaso) “descolado” (sic) que faz festas, sexo e sessões de drogas e fotografias no seu apartamento. O simbolismo, o ritmo, trucagens, psicodelia e o colorido fantástico, além de certa ingenuidade, são típicas da época. Mas enfim, por outro lado atualíssimo, sobre espiar ao invés de viver.

 

 

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Por uma TV bêbada 2

Dois vídeos enviados pela Dalila para o movimento “Por um TV bêbada”

Mais um grande momento de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, certamente os grandes patronos musicais da iniciativa

E aqui Narcisa Tamborindeguy “descontraída”, nas palavras de Amaury Jr. mostrando que o álcool também revela questões sociais. Inclusive que Narcisa está cansada de ser “pobre”.

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Por uma TV bêbada

Eu queria muito fazer um programa, ou um canal de TV inteiro, onde todos estivessem bêbados.Ou ficando bêbados no ar, ou no mínimo altinhos… “Drunk TV”. Cheio de verdade, vexames, sacadas geniais e muito “te considero pra caramba”. Um rasgo de espontaniedade midiática.

Seria o fim dos discursos prontos e das poses de bom moços. Para mostrar como seria mais divertida esse canal, alguns exemplos da alta qualidade de uma TV que não passaria no teste do bafômetro.

Grandes reflexões musicais

Entrevistas com grandes revelações (da entrevistadora bêbada, não do entrevistado).

E, claro, profecias dos esportes. E não é que ele tinha razão? A África do Sul já está logo ali, olha só…

PS: Desculpe meus amigos sérios que lutam por uma comunicação melhor.

PS2: Você vê, enchem os caras de bebida no Big Brother e nem assim eles são interessantes.

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