Guia Remídia para a Virada Cultural

Esses são os shows que eu indico na Virada Cultural. É humanamente impossível ir a todos, então tem que escolher e não pode haver síndrome de estar perdendo algo, mas tem poucas coisas boas batendo exatamente no mesmo horário.

Também sempre é legal flanar um pouco…quero dar uma olhada na área “nerd” do Vale do Anhagabaú, e não mencionei nenhuma atração especifica, mas é bem legal com um todo o palco da cultura periférica, na Santa Ifigênia…

Outra coisa. Achei o início, entre 18 e 23:00, bem fraco. Pensando seriamente em começar pelo Coisa Fina na Luz…Virar até de manhã, descansar, e recomeçar com a Rumpilezz de tarde.

Meus obrigatórios são o encontro de Toni Tornado e Dom Salvador e Abolição, Banda Mel, Gaby Amaranto, Riachão (mas acho que vou perder…), a Rumpilezz (sempre), Erasmo Carlos e seria a Orquestra Voadora se eu já não tivesse visto 3 shows deles esse ano!

Indiquem os seus também!

Programação pessoal

21:00 Chicha Libre (São João)

22:30 Coisa Fina (coreto do Parque da Luz)

23:00 Skatalites (São João)

00:00 Toni Tornado e Abolição – obrigatório (República) Dominguinhos (barão de limeira)

1:00 Eumir Deodato (Líbero Badaró)

2:00 Genival Lacerda (barão de limeira)

3:00 Banda Mel (Arouche)

5:00 Orquestra Voadora (Arouche)

6:00 Gaby Amaranto (barão de limeira)

7:00 DJ Dolores(São João)

8:00 Monarco (República)

9:30 Orquestra Fervorosa e Inezita Barroso (Palco Estação da Luz)

10:00 Riachão – obrigatório (República)

11:00 A Cor do Som (Arouche)

12:00 Almir Sater (barão de limeira)

13:00 Orkestra Rumpilezz – obrigatório (Líbero Badaró)

14:00 Leandro Lehart (República) Maria Alcina e Edy Star (XV de Novembro)

16:00 Mart´nália (República)

17:00 Erasmo Carlos (Arouche)

18:00 Paulinho da Viola (República)

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O novo retrato oficial do prefeito de São Paulo – O Aquassab!

PS: uma montagem tosca para uma situação idem!

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Top ten – Playlist do Aquassab para curtir nas enchentes

10 músicas para curtir nas enchentes paulistanas. Sugira a sua!

Essa é o tema da Kassab “se eu fizesse parar de chover, nos primeiros erros…(…)mas só chove e chove…”

Essa é o tema da Sulamérica Trânsito

queria ver o Raul cantar isso se morasse hoje em São Paulo

são as águas de março fechando o verão

está chovendo de novo!

Vai desabar água

é pros pingo da chuva me molhar

Está chovendo na roseira, na avenida, na marginal e em todo o resto

“Chove lá fora e aqui, faz tanto frio”

e para levar tudo na esportiva

sugestões dos leitores

@antonionavarro lembrou (e como eu pude esquecer) o clássico do Jorge Ben, em imortal interpretação de Topo Gigio, apaulistando o clássico

Thiago Mesquita e Lucas Cirillo chamaram o cronista Kid Moringueira

e Paula Narvaez e Juliana Freitas vieram com uma pegada mais rock´roll com Riders on the storm

Esse revival de Guilherme Arantes parece ter algo a ver com Aquassab. @anandabrasil mandou essa

@joserobertov lembrou de “Água” com Pato Fu

E eu mesmo relembrei dos Beatles. “The Long and Winding Road”, que deve estar interditada, porque a chuva “limpou o caminho”

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Trabalho Interno – uma pequena resenha e uma sugestão de “versão brasileira”

Ontem vi o documentário vencedor do Oscar Trabalho Interno (Inside Job) de Charles Ferguson sobre a crise financeira de 2008. Recomendo o filme, que é uma análise demolidora da indústria financeira e da decadência dos Estados Unidos. Como cinema o maior mérito é ser extremamente didático, bem construído e fundamentado. Na parte em que ele mostra a corrupção do pensamento acadêmico na área de economia quase tive dó dos entrevistados (quando lembro quanto ganham, o dó passa).

Por ser o tema mais influente entre os concorrentes e pela construção extremamente bem feita dá para entender porque levou o prêmio.

Meus único senão sobre o filme: o discurso final nitidamente é um “tirar o corpo fora” do autor ser visto como um “comunista” e de analisar a questão apresentada como do sistema. É a profunda repulsa norte-americana a qualquer coisa Karl Marx (que é profundamente valioso, mesmo se você não for marxista). No final o filme prefere forçar um entendimento disso como uma questão moral, o que não deixa de ser, do que tirar as conclusões óbvias sobre as dinâmicas do sistema capitalista que o até o George Soros insinua no filme. Para fazer esse “não sou comunista” o final do filme adota um texto/postura muito mais ideológica do que em qualquer outro trecho.

Mas esse deve ter sido o preço que a virtude teve que pagar ao vício…

De resto impressiona na análise das relações mercado-governo dos Estados Unidos a mecânica, e a continuidade em administrações democratas ou republicanas, do avanço da orgia do mercado financeiro. Claro que Bush Jr. mais uma vez merece a maior parte dos créditos presidenciais pelo estrago.

E fica mais uma vez a impressão que Obama é incapaz de tomar uma atitude de mudança verdadeira, um molenga…

Fiquei pensando que seriam os “Inside Jobs” brasileiros, entre aqueles que nos anos 1990 pressionaram por profunda desrugulamentação dos mercados brasileiros e privatizações e talvez os que hoje estejam construindo uma bolha aqui (será? mas acho que o sistema aqui é bem mais regulado que lá).

Nos anos 1990, gente como Gustavo Franco que levou os juros e a sobrevalorização do real para a estratosfera, José Pio Borges (que liberou empréstimo para a AES comprar a Eletropaulo e depois foi trabalhar para eles) e outros operadores da privatização no BNDES e fundos de pensão  etc…E como essas relações Estado, negócios, sistema financeiro perpassam o governo do PT também. E sobre a corrupção do nosso meio acadêmico, a Revista Adusp tem um trabalho qualificado de anos sobre fundações universitárias (fiz várias matérias para eles, e alguns casos, como o envolvimento de professores de contabilidade da USP na privatização do Banespa e tentativa de privatização do Banrisul, são escaborosos).

É ingênuo pensar que essas coisas não acontecem aqui. Por que é do sistema. Mesmo onde ele é, até pelo histórico de terríveis fraudes e quebradeiras, mais restringido e controlado, como no Brasil.

 

 

 

 

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As chuvas, a volta para casa e o paraíso

por Ana Flávia Chrispiniano

Que Gandhi me perdoe, mas minha vontade mais primitiva na volta pra casa de hoje era pegar o Kassab e o Alckmin pelo braço e jogar na enxurrada pra ver se nadavam. Se dependesse de consciência pesada, calculo que não afundariam. Até agora não deram nenhuma declaração a respeito das calamidades que os paulistanos vêm enfrentando este verão, de onde concluo que para eles uma chuva que durou 20 minutos parar a cidade às três da tarde está dentro da absoluta normalidade.

Na Estação República do metrô, as filas na catraca estavam tão grandes que uma moça comentou, brincando: “Já são seis horas?” Ou seja, se fosse seis horas tudo bem porque a gente já tá acostumado…mas às três não! Ok, a moça disse a frase sem pensar e eu sou uma chata. Mas não consigo deixar de pensar que é um problema deixar de pensar que pode ser diferente!

Isso é o mais triste: o povo enfileirado que nem gado, olhando pro céu a procura do réu e achando graça da desgraça. Até quando a gente vai adaptar nossas vidas privadas a situações absurdas – correndo riscos de proporção real nas ruas ou imaginando proporções distorcidas pela TV, trancados em casa – e ser coniventes com o abandono dos bens públicos?

Se ao invés de reclamar dos impostos, fosse cobrado o bom uso do dinheiro; se ao invés de reclamar dos protestos que atrapalham o trânsito se fizesse um protesto contra o trânsito…Talvez assim nossos representantes se lembrassem mais de nós. Talvez assim nossos representantes se lembrassem que nos representam.

Mas é cada um por si, Deus mandando chuva pra todos e uns bonecos de cera sendo eleitos e reeleitos para ocupar as cadeiras do Executivo e apenas fingir que o Estado ainda existe em São Paulo.

 

Mais do que nunca, impera por aqui a tal visão do Estado como mero gerente do grande mercado da vida. E não se fala mais nisso. Se resolver tocar no assunto, provavelmente terá a sensação de não ser ouvido, ou de falar uma língua morta/incompreensível. É latim ecoando num longo corredor vazio, onde o  que interessa é saber como ganhar dinheiro pra salvar a própria pele.

A grande maioria dos livros que vejo se abrirem no metrô (em pé, com desconforto pra virar a página)versam sobre um paraíso qualquer a ser alcançado após a morte ou num futuro próximo, caso você “seja esperto e aprenda a enriquecer dormindo”.

Isso me preocupa. E não sou pessimista, pelo contrário. Só quero que a gente possa alcançar o Paraíso que está logo ali, a algumas estações.

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A relação sexual entre Agepê e Madonna – associações musicais semi-aleatórias – 1

Minha cabeça faz estranhas associações musicais e nessa acaba entrando numas…Por exemplo: para mim há semelhanças suspeitas demais entre o clássico de Agepê “Deixa eu te amar” e “Like a Virgin” da Madonna. Duas músicas super bem sucedidas lançadas no mesmo ano, 1984, e que falam da mesma coisa, da mesma relação sexual sobre pontos de vista diferentes!

O cara que quer fazer de conta que é o primeiro e a moça que se sente como uma virgem, tocada pela primeira vez…são é um casalzinho safado “me engana que eu gosto”, entre o meloso e o melado.
Analisando as letras eu não tenho dúvida que foi Agepê que fez Madonna se sentir assim!

Porcaria que eu não estou com o Ableton Live para recriar esse lindo encontro…

Agepê faz de conta que foi o primeiro, a deita no solo e a faz mulher…

enquanto Madonna canta e geme que se sente como tocada pela primeira vez…

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É a anticíclica, estúpido – sobre salário mínimo, corte de gastos, Keynes e Dilma

Um palavrão tem sido citado menos do que deveria no debate sobre a política econômica do começo do governo Dilma. O palavrão chama-se “política anticíclica”. O pai desse insulto é John Maynard (nenhum grau de parentesco) Keynes.

No nosso debate público, quase sempre de horizonte curto e pouca disciplina intelectual, achamos Dilma/Mantega “incoerentes”. Foram junto com Lula gastões irresponsáveis em 2008, quando tais políticas ajudaram a evitar os efeitos da crise mundial no Brasil (contra os “responsáveis”, que então teriam quebrado o país). Agora seriam “traidores” das políticas de Lula ao usar o mesmo princípio de política anticíclica para gerir o crescimento da economia.

As política econômica anticíclica pode ser explicada da seguinte maneira: quando uma festa está chata, recomenda-se que os convidados bebam bastante (aumento dos gastos públicos) . Por outro lado, se a festa estiver muito animada porque os convidados estão muito bêbados, recomenda-se que parem de beber e abaixem a música antes de saírem quebrando a mobília (corte de gastos).

Grande parte dos economistas da esquerda adora recomendar Keynes quando a economia está deprimida. Como a economia brasileira passou décadas em depressão, parecem ter esquecido que quando as coisas animam, a prescrição de Keynes é muito parecida com as políticas ortodoxas. A diferença é mais no período  e nas doses da medicação.

É claro que é dolorido, e injusto, ver o governo tratar aumento de salário mínimo para os trabalhadores como gasto público, e não ver da mesma forma o aumento de juros da dívida que vai parar no bolso dos mais ricos. Ou cortando investimentos públicos importantes e necessários (e disclaimer, como dizem nos Estados Unidos: nenhum dos dois me afetam diretamente!). Mas a crueldade dessa economia capitalista cruel é que o primeiro é inflacionário (inclusive por induzir crescimento) e o segundo não. (concordo bastante com a avaliação do economista Antonio Côrrea de Lacerda no link anterior)

E pode parecer uma bondade imensa defender o aumento do salário mínimo agora, desconsiderando a questão inflacionária que reduz o poder de compra de toda a força de trabalho, cuja maior parte dela, aliás, não tem o salário diretamente relacionado ao valor do mínimo (por mais que ele seja indutor de aumento e base de referência). É dar com uma mão e tirar com a outra.

Infelizmente a economia brasileira está forçando os limites de um crescimento com inflação razoável. Não acho que são 15 reais de salário mínimo, para o bem ou para o mal, que serão o fim do mundo ou a salvação da lavoura.

Mas acho difícil não reconhecer que a lógica dos ajustes do início do governo Dilma faz sentido na perspectiva do “conjunto da obra” de 4 anos (em artigo disponível para assinantes da Folha de S. Paulo, Vinícius Torres Freire usa de ironia e mau humor, mas mostra como avaliação do Itaú indica isso). O discurso do governo é seguir as regras de aumento do mínimo com as centrais nesse momento “ruim”, para conter pressões inflacionárias e poder dar o aumento generoso em 2012 fruto dos bons resultados de 2010 (e na lógica do mesmo acordo com as centrais).

É, enfim, garantir um crescimento sustentável e bem encaminhado entre 4% e 5% ao ano até 2014. Não é banal, ainda mais com o histórico do Brasil e de onde estamos partindo.

É parte da maturidade e da responsabilidade saber moderar no auge da festa para não quebrar a cara. Sinceramente, acho a equipe econômica (atual) muito mais madura nesse sentido do que a maioria dos seus críticos de direita e esquerda a consideram (em outras palavras, seguem subestimando o Mantega!).

No fundo, para resolver a equação juros-câmbio-crescimento econômico vai ser difícil separar ações anticíclicas de política neoliberais (a diferença delas mesmo só o tempo nos dará), e decisões difíceis e impopulares como o fim do rendimento garantido de 6% da popupança (que na prática gera um piso para a queda da Selic e que Lula não teve coragem de mudar) com sadismos e cara-de-pau das elites de querer retirar direitos trabalhistas em um ambiente de escassez de mão de obra. Há também discussões que são complicadas para os ortodoxos/mercado/liberais, como separar uma inflação “má” de uma parte “boa” do indíce composta de aumentos que fazem parte do processo de nos tornamos uma sociedade mais desenvolvida e que remunera melhor os trabalhadores. Mas isso é outra história…

De resto, as centrais sindicais estão no seu pleno direito e função de brigar por um salário mínimo maior, prova de que são menos pelegas do que se imagina e serem impopulares cortes em áreas sociais.

Eu fico até um pouco incomodado com tamanha tranquilidade, mas “que decepção”, acredito mesmo que nesse momento o governo está certo de fazer um ajuste fiscal.  É menos um “O governo está certo” por si só quanto achar que estamos mais maduros, como sociedade, nesse debate, do que nós mesmo achamos que estamos.

Dito de outra forma, na imortal sabedoria de Mussum, talvez o governo esteja “certis” mesmo.

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