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A relação sexual entre Agepê e Madonna – associações musicais semi-aleatórias – 1

Minha cabeça faz estranhas associações musicais e nessa acaba entrando numas…Por exemplo: para mim há semelhanças suspeitas demais entre o clássico de Agepê “Deixa eu te amar” e “Like a Virgin” da Madonna. Duas músicas super bem sucedidas lançadas no mesmo ano, 1984, e que falam da mesma coisa, da mesma relação sexual sobre pontos de vista diferentes!

O cara que quer fazer de conta que é o primeiro e a moça que se sente como uma virgem, tocada pela primeira vez…são é um casalzinho safado “me engana que eu gosto”, entre o meloso e o melado.
Analisando as letras eu não tenho dúvida que foi Agepê que fez Madonna se sentir assim!

Porcaria que eu não estou com o Ableton Live para recriar esse lindo encontro…

Agepê faz de conta que foi o primeiro, a deita no solo e a faz mulher…

enquanto Madonna canta e geme que se sente como tocada pela primeira vez…

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4 músicas e o mesmo baixo

Como uma linha de baixo pode render…Se alguém conhecer mais uma versão, mande!

 

O original, do Clash

Aí o Fatboy Slim usou o baixo do Clash para remixar essa música aqui

Ficou assim

Anos depois, o Cypress Hill pegou a mesma linha e fez mais um hit com ela

E uns dois anos atrás foi a vez da Santogold fazer uma cover/homenagem ao original, batizada de “Guns of Brooklin”

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Orkestra Rumpilezz e a “vingança da percussão”

Aviso: este é um texto de superlativos. Lettieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz merecem. Para mim, é a melhor e mais importante “coisa” a acontecer na música brasileira em uns 10 anos. Simples (ou complexo) assim.

O show deles na Virada Cultural, a primeira apresentação deles em São Paulo, foi a abertura de um mundo para os (poucos) que lá estavam. Muitos músicos simplesmente choraram. Muitos.

O maestro Lettieres reuniu um grupo de percussionistas com músicos de formação jazzística ou erudita da Bahia para, a partir da riqueza rítmica do candomblé, cria música jazzística. De novo, simples assim.

Mas nada simples e tudo muito rico. Nada de uso “Paul Simon” dos ritmos baianos, nada de exótico, de orientalismos ou carlismos, de objeto. Tudo sujeito de sua própria história, e história de indivíduos livres, de músicos felizes tocando juntos e nos reatando com algo ancestral não porque é do passado, mas porque é de dentro, de todos os tempos, do futuro também.

No show da Orkestra, a percussão ocupa o centro do palco, e vem vestida de roupa de gala. Os metais a cercam, com seus músicos vestidos de bermuda e camiseta. Todos de branco. A complexidade da percussão tece melodias e solos. Os metais também fazem ritmo.

E quem inventou essa divisão? E quem inventou que a melodia e a harmonia eram “superiores” ao ritmo? Não foram os povos (europeus) que tinham melodia e harmonia, mas não tinham complexidade rítmica? Quem acreditou nessa história?

A complexidade dessa orkquestra é sinfônica. As composições de Lettieres (arranjador de Ivete Sangalo, com muito orgulho, e já vi tanto preconceito ao seu trabalho por causa disso!) são incríveis. E muitas vezes elas nos fazem dançar. E outras tantas, nos fazem voar, e baixar (os santos). É clássica ou é popular? Quem está catalogando isso?

A base e a mesma de Ilê Aye, Daniela Mercury, Olodum, e também de Ivete, Carlinhos Brown, do Chiclete e de É o Tcham! A mesma do axé que você tem preconceito. A mesma!

E ela renasce, mais pura e mais moderna ao mesmo tempo.

Lettieres deixa claro no fim em nome do que, homenageando quem, e inspirado em que nasceu seu projeto: os percussionistas da Bahia. A tradição viva nascida e mantida sagrada no candomblé, e desdobrada em ritmos e festas profanas e depois na indústria cultural, e depois na indústria da micareta (cheia de picaretas).

E “deixa eu dizer o que penso”…Não é pouco o que esta Orkestra faz. Ela questiona os preconceitos culturais e sociais que afirmam a pretensa “superioridade” da música clássica sobre a música rítmica da África.

E não é a toa que algo assim nasça do Brasil, conforme esse Brasil vai ficando em pé em suas pernas e acredita em si, meio sem que Rio e São Paulo se dêem conta da dimensão da coisa (com exceção de gente muuito esperta, como o Charles Gavin). Que nasça de músicos de diversas origens sociais com muito estudo, juntos com percuissionistas que aprenderam o ofício nas periferias, blocos e terreiros. Que isso seja indiretamente financiado pela máquina popstar de Ivete Sangalo. Que o Brasil cumpra esse papel de colocar a música da África no centro do palco e “comprar a briga” sobre seu papel.

Villa-Lobos, Moacir Santos e todos os orixás sorriem…

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