Esperando Tarantino

Hoje estreou Bastardos Inglórios o novo filme do Quentin Tarantino.

Vou assisti-lo amanhã. Este texto é só para compartilhar o prazer da ansiedade e a admiração por Tarantino.

Sim, eu, como todo mundo, já deduzi o “final” do filme. E sim, eu tenho certeza de que vai ser uma obra-prima, e isso é estranho.  Eu sei pelas pessoas que falaram bem do filme. Quase mais do que isso, eu sei pelas que falaram mal.

Tarantino surgiu como um ícone primeiro dos cinéfilos (“Cães de Aluguel”) depois dos modernosos (Pulp Fiction). Na mesma “vala comum” de Spyke Jonze e Michel Gondry. Mas cresceu. Naquela onde maneirismo e talento se confundem, onde uma boa obra se confunde com um projeto de cinema. Ao longo dos anos Tarantino foi se diferenciando. Os modernos não acompanham mais sua obra do mesmo jeito. Ganharam novos “darlings”. E Tarantino foi jogar em outra liga. Começou a escrever seu nome entre os monstros, os mestres de todos os tempos do cinema. Exatamente onde ele quer estar.

Roger Avary e Robert Rodriguez, seus amigos e parceiros, foram ficando para trás ou meio assim de lado. Ele teve seus “contratempos”: Jackie Brown que só é um fracasso pelos altos padrões que ele mesmo estabeleceu; Assassinos por Natureza, roteiro assassinado por Oliver Stone.

Mas aí ele veio com Kill Bill…Saí do primeiro filme revoltado. Discuti muito. Como alguém com tanto talento podia desperdiçá-lo em puro estilo e virtusiosmo cinematográfico. Isso me revoltava. Rapaz tolo…Veio a segunda parte daquilo que é um filme só (que foi desmenbrado). Ele dá o sentido e recupera a primeira, que já era brilhante…Quando todos vão esperando novo show de coreografia, que o filme de novo se resolva em artes marciais, no segundo tudo é supresa, superação interna, fábulas, até o clímax de um filme de luta ser…Um looongo e maravilhoso diálogo entre os personagens de Uma Thurman e David Carradine. E eu pude delirar em paz com os malabarismos, show de imagem e controle cênico que ele tem. É técnica, é estilo e é conteúdo e uma profunda reflexão sobre cinema e a vida (sim, mesmo que não lhe pareça…)

Depois veio Deathproof…Que pouca gente viu porque ele casou o filme com a porcaria do Robert Rodriguez…Uma “pequena” obra-prima, desde o movimento de câmera da sequência de abertura, aos diálogos (das meninas, do delegado com sue filho), a atuação, ao enredo em dois atos…ao jogo com a película…

Cada dia mais Tarantino parece um Kubrick, mas simpático e festeiroao invês do gênio ermitão, racional e enxadrista de “2001”. Ou um Godard compreensível. Ou um Orson Welles organizado, capaz de gerenciar sua carreira e não se perder na genialidade e boemia. Ou um Scorcese capaz de mixar todo o conhecimento de diferentes cinematografias e estilos só que dentro do mesmo filme e ainda rir de tanto conhecimento cinéfilo. A ambição de Tarantino está nesse nível. Até onde isso pode ir chega a ser assustador.

E amanhã, para mim, tem Bastardos Inglórios. Onde ele está agora. O surreal do Tarantino é o conhecimento de cinema e a auto-consciência sobre seu trabalho. Ele dizer que finalmente conseguiu escrever uma cena no nível da que ele considera sua melhor como roteirista, esta obra prima aqui embaixo (bem feita por Tony Scott, mas escondida em um filme que não a merece, viva o Youtube!🙂 deixa a espera ainda mais doce.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s