Novos modelos e velhas discussões do jornalismo

Dois textos recentes sobre questões de ética e financiamento da atividade jornalística (ou geradora de informação, ou reportagem, se bem que cada uma dessas expressões tem suas particularidades).

Oscar Pilagall resenhou o novo livro de Eugênio Bucci “A imprensa e o dever da liberdade”. Não li o livro, vou tentar fazê-lo nas próximas semanas. Peguei um pouco do conceito de que para o jornalista a liberdade deve ser um “dever”, enquanto para o cidadão é um direito. Do livro não posso dizer nada. Da resenha achei só um aspecto curioso. Ela dá a impressão que todo o tipo de jornalismo em empresa estatal ou financiado por ONGs e setores sociais não é capaz de fazer isso porque tem relação com setores, mas que o ligado a empresas jornalísticas passa poupado pelo livro como se fosse o “puro” ou o espaço ideal desta liberdade. Ou seja, que jornalismo de verdade, só em um lugar como a “Folha de S. Paulo”. Duvido que o livro seja tão simples ao discutir os limites para o jornalismo também dentro de uma atividade empresarial, e que não discuta as possibilidades de um espaço em uma empresa pública (diferente de estatal). Essa discussão ainda é mais importante devido a experiência de Bucci no comando da Radiobrás, marcada por um esforço imenso em melhorar a empresa.
A resenha pode ser lida aqui

E “por outro lado”, Elio Gaspari postou esta interessante nota na coluna dele de hoje na Folha de S. Paulo

NOVO JORNALISMO
Zarpou da Califórnia com destino a uma zona de calmaria ao norte do Havaí um navio com a equipe do projeto Kaisei. Eles vão em busca do “Lençol de Lixo do Pacífico” uma área do tamanho do Estado do Amazonas, transformada em depósito de sujeira flutuante pelas correntes marítimas.
Na equipe viaja a repórter Lindsey Hoshaw, uma moça formada por Stanford que organizou um projeto de cobertura, colocou-o no sítio Spot.Us e pediu ajuda. Conseguiu US$ 6.000. O “New York Times” entrou no lance, oferecendo cerca de US$ 700 caso decida comprar fotografias. Se publicar um texto, pagará mais. Também aderiram os fundadores do eBay e da CraigList, um megaportal de anúncios classificados.
O Spot.Us expõe projetos de reportagens relacionados com a área e os interesses de San Francisco. Aceita doações individuais que raramente chegam a cem dólares e devolve o dinheiro se o serviço não é entregue. Salvo no caso de empresas jornalísticas, não recebe cheques com valor superior a 20% do valor do projeto.”

Com a “qualificação das fontes” como dizia meu professor Manuel Chaparro (assessoria e produtoras de conteúdo) com assessoria de imprensa, produtoras etc…principalmente de empresas; com o conteúdo produzido pelo leitor/cidadão com as novas tecnologias + blogs + etc; mais os conhecimentos mais aprofundados (reportagens, mas também relatórios, pesquisas, análises) produzidas por ONGs, acadêmicos e entidades setoriais, a multplicidade de discursos e informação cresce. Pergunta, não foi sempre assim, e só se intensificou? (mesmo antes o jornalismo se abastecia de estudos produzidos por outros, agora os outros também o comunicam diretamente…).

Enfim…reflexões bem razas de domingo…

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