Uma bobagem e uma contra-bobagem sobre o Vale Cultura

Bobagem escrita por Gilberto Dimenstein, famoso defensor do “markenting social”. Não sei qual é a opinião dele, sobre a Lei Roaunet (nunca ouvi nada contra, mas pode ser que tenha escrito) mas valia avisar no texto que esta também é bancada pelos contribuintes, e bem menos democrática que o Vale Cultura.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u600784.shtml

Postado antes do texto do Dimenstei foi este excelente do Leonardo Sakamoto. Ou seja, não é uma resposta ao texto do Dimenstein. Mas é uma análise perfeita do texto e postura dele. Tanto melhor que ainda foi escrito antes. Aliás, esse pessoal não acreditava em mercado, em liberdade de expressão e escolha do consumidor? Quando foi que isso sumiu? Quando chega a vez do pobre escolher?

http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/07/26/vale-cultura-preconceito-elitismo-e-tecnobrega/

3 Comentários

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3 Respostas para “Uma bobagem e uma contra-bobagem sobre o Vale Cultura

  1. Como se a escolha fosse dada livremente. A cultura popular tem um estilingue, a Indústria Cultural uma metralhadora. E então? Minha opinião: http://eutomaz.blogspot.com/2009/07/resposta-leonardo-sakamoto.html

  2. José Chrispiniano

    Tomaz,

    Obrigado pelo comentário. Não sei nem como achou este meu blog “escondido”.

    Antes, o post do Leonardo Sakamoto está com data de publicação anterior a do Dimenstein
    Bem, vamos lá…alguém sempre ressuscita a velha escola de Frankfurt e sua indústria cultural…
    Calipso é indústria cultural? Calispo não tem gravadora, nunca teve, a TV foi obrigada a aceitá-los. Funk carioca é indústria cultural? Surge dos bailes para os bailes, depois chega na mídia. Samba não seria indústria cultural? Nada vende mais que samba, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, shows lotados no sesc, milhares de pessoas no carnaval carioca. Roberto Carlos não é indústria cultural? Claro, mas deixa de ser uma expressão verdadeira por causa disso? O que tem de desonesto ou errado na Ivete Sangalo e sua relação com as pessoas que gostam dela? As pessoas não se divertem com a música dela? Não canta suas vidas, não a usam, não se divertem nos seus shows? O que te incomoda tanto na Ivete Sangalo (e eu mesmo acho que ela poderia ser muito mais artista do que “empresária”, mas ela escolheu este caminho, direito dela, e o faz com dignidade e mais arte que muita gente cheia de pose de artista e pouco valor)?

    Cultura é expressão de povo, mas não pode ser também de indivíduos? A relação povo-indivíduo não é mais complexa que isto? Ou estes indivíduos só podem ser da “cultura erudita”. Você não se diverte com Homem-aranha🙂 ? Kubrick não é “indústria cultural” e maravilhoso? Ou Hitchcock, que era extremamente comercial e produndo e sofisticado ao mesmo tempo?

    É claro que cultura não é uma relação apenas de consumo-venda. Aliás, ela não é nem quando a indústria cultural (sic) quer que seja.
    Aliás “indústria cultural” é muito simplista (ainda mais em tempos de internet). Essa expressão “indústria cultural”, esta tão defasada que nem a função de fazer alguma crítica a abordagem capitalista da cultura (que é horrível mesmo) ela dá conta mais. O problema hoje é a questão do assalto da publicidade sobre a cultura (leia “No Logo” da Naomi Klein) de um lado e do outro um amplo complexo cultural/midiático nas mãos de poucos grupos econômicos que NÃO são “indústrias” culturais. São redes financeiras/comunicação de muitos braços. Chamá-los de indústria cultural é quase como confundir bancários com banqueiros.
    Mais simples ainda é sua definição de cultura
    “Aqui caberia uma longa discussão sobre o que significa Cultura para um povo. No básico: a Cultura é a relação do povo com sua própria tradição.”
    Que povo? Este povo não pode ter relação com a cultura dos outros? Se o rico (ou pobre) se identifica com a ópera de Wagner ou com Michael Jackson, quem sou eu para dizer o que é melhor para ele? Eu posso propor, dialogar, mas determinar…
    O que é “tradição de um povo”? Bem, o que é este povo? O que é esta tradição? É samba? Samba nasce da polca, música européia, misturada com gêneros africanos. Isso é “puro”? E se torna “música nacional” com o DIP do governo Vargas. Isso é “tradição”. O que é “tradição pura”. Para quem pedimos autorização para mudá-la?
    O que é esta cultura? Estacionada? Congelada? Como ela se relaciona com o presente? Quando os negros da periferia de são paulo reinventam a indústria cultural do hip-hop americano eles estão fazendo o que?
    O governo “vende esta relação” com o Bolsa Cultura? Para quem? Você sabe o que a pessoa vai comprar com isso? Brasileiro consome fundamentalmente música brasileira. O consumo de cinema nacional, podemos discutir qual, cresce e se aproxima dos melhores patamares históricos disso.
    O que verbas para o ensino superior (que aliás tem crescido nesse governo, talvez não o suficente, mas cresceram) tem a ver com isso? O que verbas para o ensino superior X vale cultura para os trabalhadores democratiza? Qual o alcance (pessoas atingidas) de uma coisa e da outra? Quem alcança?

    Você realmente acha que o Minc que bate forte em propriedade intelectual é “neoliberal”? Direito autoral é a questão número 1 de interesse das mega-empresas do setor, e o Minc é o mais avançado no seu questionamento. Ao mesmo tempo, o Minc sabe que cultura também é um setor econômico.

    Não é engraçado que você dê uma volta pela extrema esquerda para acabar concordando com o Dimenstein, que pode ter suas qualidades, mas certamente está longe de ser de esquerda?

    Enfim, Walter Benjamin é demais. Amo a maneira que ele quebra a mania de se pensar história de forma falsamente linear.

    Mas Adorno nessa altura do campeonato, pela internet, nesses nossos trópicos antropofágicos…tem as limitações que não são nem culpa dele, mas da apropriação fraca e repetitiva que ainda hoje se faz dele, quando tanta coisa mudou.
    Desculpe a longa resposta e alguma eventual colocação mais agressiva. Mas gosto desse assunto, e gosto de fazer perguntas sobre ele. De provocar. Porque a questão da cultura é muito mais rica e bela do que está no seu post.
    Acabei foi passando da hora de dormir com isso…

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