Zizek organizando ideias

O artigo A hipótese comunista: começar do começo (o texto original em inglês pode ser lido aqui) do filósofo esloveno Slavoj Zizek que saiu no último número da Piauí (34) é muito interessante. Muitas vezes o mais legal no Zizek é como seus artigos conectam coisas diferentes e pulam de ponto em ponto trazendo no meio deles ideias interessantes, como “Nós somos obrigados a viver hoje como se fóssemos livres”. Nessa eu penso bastante🙂 e quer dizer isso mesmo. Nós somos obrigados a viver como se tivéssemos liberdade, mas temos mesmo?

Enfim, uma digressão. O que quero dizer é que a qualidade desse artigo está em ele ser claro. Ele aponta quatro limites do atual capitalismo global e que são mesmo as quatro principais questões políticas da atualidade:

1) A ameaça permanente de catástrofe ecológica

2) A inadequação da chamada propriedade privada para a chamada propriedade intelectual (tecnologias digitais, disseminação do conhecimento, patentes de remédios)

3) As questões éticas envolvendo a manipulação genética

4) As novas (embora não concorde com ele que sejam novas) formas de segregação social: os novos muros e favelas.

E ele diz que é lógico, a quarta questão é mais importante, mas não por se opor, mas por ser a que agrega as outras três, a que as dá sentido a elas.

Para lidar com elas, propõe a reativação dos “commons”, do conceito do que é comum, compartilhado, na natureza, no saber (conhecimento e educação), na genética e na nossa infra-estrutura comum (estradas, eletricidade, água, correio), geridas para o bem e a emancipação comum.

É um belo e amplo princípio norteador de “comunismo”. E sinceramente? Parece-me também bem mais interessante e útil do que a maioria das linhas que se vê atualmente na esquerda.

Embora é claro, sejam as lutas desta (no Fórum Social Mundial e tantas outras etc…) que tateiam e defendam estas questões e que criaram as condições dessa reflexão que as articula.

Mas o que eu acho é que essa crescente defesa do que é “comum”, de forma articulada nessas questões, é uma grande percepção.

Zizek também bate forte, como lhe é comum, na linha de esquerda que ele considera excessivamente ligada às questões das minorias e do politicamente correto. Ele coloca a seguinte crítica “O que se perde nela (nessa linha) é a universalidade corporificada nos excluídos. As novas medidas políticas de caráter emancipador não serão mais produzidas por um determinado agente social,mas por uma combinação explosiva de diversos agentes. Em contraste com a imagem clássica dos proletários que não têm ‘nada a perder além dos seus grilhões’, o que nos une é o perigo de perdermos tudo.”

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